MÚSICOS

BEETHOVEN, O MESTRE DO BONN

Havia algo de errado com aquele homem, atarracado que costuma passear pelas ruas de Viena, por volta de 1820. Parecia estar sempre ausente, distante do mundo que o rodeava. Sem rumo certo, ora caminhava mais depressa, ora se detinha por longos momentos, com expressões de perplexidade. Esses passeios conduziam-no aos verdes arredores da cidade, onde encontrava paz e inspiração. Como todos os solitários, esse homem de cabeleira revolta amava a natureza com toda a alma. Os curiosos que se voltavam para observa-lo não o perturbavam. Alheio a tudo seguia seu caminho, murmurando consigo mesmo e, às vezes, cantando alto com voz grave e rouca, enquanto, com as mãos, regia uma orquestra invisível. As pessoas julgavam-no louco. Não percebiam que era surdo, e menos ainda imaginavam que se tratava de um gênio, Ludwig van Beethoven.

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VIVALDI

Silêncio total. Os fieis se ajoelham, concentram-se na prece, fazem suas súplicas, preparam-se para receber a comunhão. Mas eis que o jovem sacerdote celebrante abandona de súbito o altar, e apressadamente desaparece do templo. Todos se erguem, alarmados. Fato estranhíssimo, um padre sair da igreja na hora exata de transformar o pão e vinho em corpo e sangue de Cristo. Moderado o pasmo, decidem denunciar o sacerdote ao tribunal da inquisição. Este, após intensos interrogatorios conclui: Dom Antonio Vivaldi é louco, e esta proibido de rezar missa. Podia ser louco, mas um louco genial. Sua inspiração tomava-o de tal modo, que ele sentia a necessidade inadiável de compor. Assim foi justificada sua retirada do altar, durante a missa, ele teria ido anotar uma melodia que lhe ocorrera de repente. A explicação do próprio Vivaldi, contudo, é diferente: bem depois do episodio, ele explica que não rezava a missa a 25 anos Não porque tivesse sido proibido pela Inquisição, mas poque não tinha grande resistência física para faze-lo. Desde pequeno, revela ele, sofria de "opressões no peito". Essas opressões é o que fizeram o abandonar o altar por duas ou três vezes.

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JOHANN SEBASTIAN BACH

Desde o começo do século XX a música de Bach faz parte do repertório dos grandes organistas, é tocada como exercício  pelos estudiosos de vários instrumentos musicais e apresentada por orquestras e corais do mundo todo. Suas composições atestam que ele conhecia profundamente a teoria musical de sua época- o barroco- e nelas estão esgotadas todas as possibilidades da polifonia, técnica de composição conhecida desde o final da Idade Média e ainda hoje muito divulgada. Por seu domínio dessas técnicas tradicionais da música, Bach é ainda estudado pelos que  se dedicam  a essa arte. E, pela força expressiva e riqueza de sua obra, é considerado por muitos críticos, o maior compositor de todos os tempos.

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MOZART: UMA VIDA PELA MÚSICA

Leopold Mozart e Andreas Schachtner guardaram seus instrumentos. O ofício na corte do príncipe arcebispo de Saalzburgo terminara. Chegando à casa de Leopold, os dois músicos surpreenderam o pequeno Wolfgang Mozart, de cinco anos de idade, muito concentrado sobre uma folha cheia  de borrões. Intrigado, Leopold perguntou ao filho o que estava fazendo. O menino respondeu simplesmente: "Estou escrevendo um concerto para cravo". A tirada divertiu seus curiosos espectadores. Entretanto, examinando de perto o insólito manuscrito, ambos se entreolharam perplexos: em meio a manchas e rabiscos  no pentagrama, havia notas ordenadas com perfeição. O menino estava realmente compondo. A peça, concluída alguns meses depois, não era um concerto, mas o Minueto e Trio em Sol Maior, para Cravo.

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GIUSEPPE VERDI MÚSICO

Tinham longas barbas e por isso foram chamados de longobardos pelos surpresos cidadão do Império Romano, quando surgiram no vale do ri Pó, no início do século VI, vindos das florestas germânicas do norte. No fundo, talvez ninguém se espantasse, pois era costume bárbaro ter barbas longas e cabelos compridos, e mesmo que alguém se espantasse, não ousaria dizê-lo, nem demonstrar desprezo: os bárbaros longobardos eram muito mais fortes e, em pouco tempo, estabeleceram um reino no vale do rio Pó, com capital em Pavia. O papa, Gregório, o Grande, viu logo que nada poderia contra os poderosos intrusos. Eram cristãos, assimilavam facilmente os costumes da gente que vieram dominar, e assim foi reconhecida como legítima a sua presença no norte da Itália. Mesmo quando Carlos Magno incorporou o reino longobardo ao seu império, no fim do século VIII, os longobardos, ou lombardos, como passaram a ser chamados, mantiveram separados seus costumes, suas tradições e a sua identidade nacional. E quando os germanos do norte atacaram a península italiana, em 1176, os lombardos, já totalmente latinizados, não o hesitaram em se opor aos invasores, que derrotaram em batalha travada perto da cidade de Legnano. Sete séculos depois, esse fato histórico inspirou um grande compositor para compor uma vibrante ópera com o intuito de incentivar os seus compatriotas da Itália do Norte à luta contra os invasores germânicos que lhes ocuparam a pátria. O compositor chamava-se

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TCHAIKOWSKY

Fim do Mundo, Quando Deus Chamava os Homens para o Céu e A Velhice de um Homem que Fala Sonhando com Sessenta Anos são os títulos dos poemas que Pyotr Ilitch Tchaikowsky compunha aos sete anos, em língua francesa. Por tão precoces aptidões, sua preceptora chamava-o "menino de vidro". Realmente era uma criança supersensível, esse segundo dos cinco filhos de Alexandra Andreievna d'Assier, senhora de origem francesa casada com Ilia Petrovitch Tchaikowsky, engenheiro de uma usina em Votkinsk, centro metalúrgico próximo à  fronteira da Sibéria, na Rússia. Nascido a 7 de maio de 1840, Pyotr viria a ser o primeiro músico dessa família, que por várias gerações tinha ocupado modestos cargos no exército e na administração Russa. E mais: viria a ser um dos músicos russos mais conhecido em todo o mundo. Desde os cinco anos Tchaikowsky dedilhava o piano, assistido pela mãe. E quando em 1850, a família se muda para São Petesburgo, depois de ter vivido dois anos em Moscou, desenvolve com bastante rapidez esses primeiros conhecimentos musicais. Cursa, aí, a Escola de Jurisprudência, de cujo coral participa, sendo tutelado, nesse período, por Modeste Vakar, um amigo da família incumbido de orientá-lo até os dezenove anos.

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