VICTOR HUGO E A REBELIÃO ROMÂNTICA
"Em
nome da verdade todas as regras ficam abolidas. O artista é senhor para
escolher as convicções que lhe aprouverem" A proclamação veemente abria
o prefácio de uma peça teatral, Cromwell, editada em 1827. Mas
era bem mais do que o grito de guerra de uma nova escola literária, o
Romantismo. Definia uma filosofia de vida, pelo menos para o seu autor,
Victor Hugo. Poeta, escritor, dramaturgo, jornalista, a luta pela
verdade transformou-o também em um homem de ação, inimigo tenaz da
tirania de defensor apaixonado dos oprimidos.MUITAS VIAGENS, UM JARDIM
A longa caravana avança em fila, pelo planalto árido de Castela, rumo a Madri. Uma escolta de cavalaria acompanha as carruagens dos oficiais e funcionários franceses. O caminho é perigoso. Os combatentes espanhois podem surgir à qualquer instante. A Espanha nunca se conformara com a dominação napoleônica. Meio curioso, meio assustado, um rosto infantil surge na janela de um dos veículos. O menino Victor Marie Hugo está fascinado. Com a e os irmão Abel, e Eugene, vai ao encontro de seu pai, Conde Joseph Leopold Sigisberto Hugo, general de Napoleão.
CONTINUE LENDO
_________________________________________________________________________________
MACHADO DE ASSIS
Na
vida real, um homem baixinho, mulato doente. Tão feio que deixava
crescer os bigodes e a barba para esconder parte do rosto. Funcionário
exemplar, cavalheiro distinto. Na vida que transpos para o papel, um
homem cínico, irreverente e desrespeitoso.tudo foi objeto de sua feroz
ironia, de sua amarga censura. Nenhum genero literario foi seu
desconhecido: escreveu poesia e teatro, cronica e critica, conto e
romance. Assistiu à abolição da escravatura e à proclamação da Republica
no Brasil, mas nã se envolveu em nada. O que lhe interessava eram os
fatos de todo o dia, as inquietações do comportamento humano, o
pitoresco e o rídiculo. Numa época em que a literatura brasileira se
reduzia a estórias de amor e a poesias grandiloquentes, ele surgiu como
um demolidor de tabus. Deixou de lado os enrredos romanticos, as palidas
donzelas e os gentis mancebos, para penetrar a fundo na alma de suas
personagens. Esse homem doente, vindo de um lar triste e pobre, saiu à
cidade para vencê-la. Acabou se tornando uma das maiores glórias se não a
maior de literatura do Brasil:CONTINUE LENDO
_________________________________________________________________________________
WILLIAM SHAKESPEARE
Diversos
trajes de mouro. Dragão. Cavalo grande com suas patas. Uma jaula e uma
roca. Quatro cabeças de turco e a do velho Maomé. Roda para o cerco de
Londres. Uma boca do inferno. Era com esse pobre material de cena que,
em 1598, uma casa teatral inglesa participava do intenso florescimento
artístico do período elizabetano. No reinado de Elizabeth I (1558-1603),
o teatro tornou-se uma atividade respeitável e um espetáculo popular.
Não sem enfrentar adversidades. Primeiro, o próprio puritanismo da
época. Mulheres dignas não frequentavam os teatros públicos,
improvisados nos pátios das hospedarias às margens do Tâmisa, onde
representavam ao ar livre pequenas comphanias ambulantes. Também não
eram aceitas mulheres no palco, os papeis femininos eram representados
por jovens rapazes de voz fina. Enquanto esses artistas e o prefeito
viviam em permanente litígio, o governo fornecia licença aos nobres para
manterem suas comphanias, intituladas "servants" (servos), que só
podiam atuar nos palácios de seus amos.CONTINUE LENDO
_________________________________________________________________________________
CHARLES JOHN HUFFAM DICKENS, ESCRITOR
Após ter conhecido um período de glórias, a literatura inglesa, no fim do século XVIII, declinava perigosamente. Mas essa ameaça de estagnação logo seria afastada, graças à verdadeira revivescência literária que marcou "era vitoriana". A esta época, iniciada em 1837, quando sobe ao trono a Rainha Vitória, pertence Charles Dickens, talvez o mais popular e humano dos romancistas ingleses.UM RAPAZ AMBICIOSO
Charles John Huffam Dickens nasceu em 1812, em Landport, perto de Portsmouth, no sul da Inglaterra. Tinha cerca de dois anos de idade quando a família se tranferiu, por pouco tempo, para Londres, e, depois, por longo tempo, para Chatham, cuja paisagem permaneceu em seu espírito por toda a vida, como a única lembrança da infância, sua época mais feliz. Por volta de 1822, John dickens, o pai como sempre às voltas com dívidas, foi encarcerado na Prisão dos Devedores, em Marshalsea; sua esposa mudou-se com oito filhos, dos quais Charles era o segundo, para Camden Town, onde abriu uma espécie de "estabelecimento educacional". O menino Charles viu-se então obrigado a deixar a escola para trabalhar numa fábrica de...
CONTINUE LENDO
_________________________________________________________________________________
GUIMARÃES ROSA
Codisburgo, quase uma vila apenas, assonância germânica estranha num universo de topônimos lusos, brasileiros, guaranis, tupis e nheengatus. Esquecida entre duas irmãs maiores, Sete Lagoas e Curvelo, em Minas Gerais. Despretensiosa na modorra de suas ruas de meia-idade e na fala mansa de seus filhos, na despreocupação de anunciar-se existente. Nessa Codisburgo nasceu, às vésperas do dia de São Pedro do ano de 1908, o menino João, filho do casal Guimarães Rosa. Aprendeu com facilidade as primeiras e as segundas letras e, já aos seis anos de idade, guiado por um mestre, Candinho e por um franciscano, frei Esteves, lia o primeiro livro em francês "Les femmess qui aiment". Esse foi o início da paixão pelas línguas, que o acompanhou até o fim da vida. João se familiarizaria com o latim, o grego, o alemão, o inglês, o italiano, o holandês, o russo, o sueco e algumas língua orientais. Antes de morrer em 19 de novembro de 1967, estava se apossando de mais uma língua: o vietnamita. Sempre de olhos abertos, com sede insaciável de conhecer, aos nove anos de idade entra no Colégio Arnaldo, de Belo Horizonte, onde se acentua o gosto pela história natural. Coleciona borboletas, besouros, uma multidão de insetos; classifica-os com cuidado, consultando a blibioteca da cidade, lendo livros especializados e deixando uma coleção notável pela demonstração de seriedade e de conhecimentos que tinha da matéria.CONTINUE LENDO
__________________________________________________________________________________
NICOLAU MAQUIAVEL
"E como disse ter sido preciso, para que fosse conhecida a virtude de Moisés, que o povo de Israel fosse escravo no Egito; para conhecer-se a grandeza de alma de Ciro, que estivessem dispersos, assim, moderadamente, desejando-se conhecer o valor de um príncipe italiano, seria preciso que a Itália chegasse ao ponto em que hoje se encontra . Que estivesse mais escravizada do que os hebreus, mais oprimida do que as persas, mais dispersa que os atenienses, sem chefe, sem ordem, batida, espoliada, lacerada, invadida, e que houvesse, por fim , sofrido toda espécie de calamidades...""Deste modo, tendo ficado como sem vida, aguarda a Itália aquele que lhe possa curar as feridas e dê fim ao saque da Lombardia, aos tributos do reino de Nápoles e da Toscana, e que cure suas chagas já há muito apodrecidas. Percebe-se que ela pede a Deus que lhe mande alguém que a redima de tais crueldades e insolências de estrangeiros. Vê-se, mesmo, que se acha pronta e disposta a seguir uma bandeira, desde, que exista quem a levante" (O Príncipe, 1513)
CONTINUE LENDO
_________________________________________________________________________________
LEWIS CARROLL NO PAÍS DAS MARAVILHAS
Um
coelho alucinado que olha constantemente para o relógio. Um rato
eternamente com sono. Uma rainha (a dama de copas) tirana e furiosa.
Esses são alguns dos extraordinários personagens de "Alice no País das
Maravilhas", o livro para crianças que já foi traduzido para todas a
línguas, até o esperanto. Há quase um século a menina Alice corre o
mundo, em seguida por seu cortejo de seres estranhos, animais e pessoas.
Em seu mundo fantástico, o absurdo é possível: basta-lhe fechar os
olhos e ela de transforma ora numa gigante de pescoço comprido como o de
uma girafa, ora numa anã de cabeça enorme. "Alice no País das
Maravilhas" nasceu na Inglaterra, no século XIX. Foi a primeira de uma
série de obras dedicadas ao público infantil. Mas embora tenha sido
escrita para crianças, Alice ultrapassou sua própria esfera . Por seu
conteúdo fantástico e o absurdo constituem o centro de tudo, essa obra
tem sido considerada como precursora de uma importante corrente que
surgiria mais tarde na literatura: o surrealismo.CONTINUE LENDO
__________________________________________________________________________________
LUÍS VAZ DE CAMÕES
Uma dúzia de datas certas, muitos fatos duvidosos. A vida de Luís Camões, o maior poeta da língua portuguesa, chega por vezes a confundir-se com as lendas do próprio país onde nasceu. Manuel Correia, contemporâneo do "divino poeta", teria declarado no prefácio de uma das edições de Os Lusíadas: "O autor deste livro foi Luís Vaz de Camões, português de nação nascido e criado em Lisboa..." O local de nascimento é certo,a data é que não: foi por volta de 1524. Segundo seus primeiros biógrafos, ele pertenceu a uma família de nobres estabelecida em Portugal desde a época de Dom Fernando I (segunda metade do século XIV). O próprio Camões atribui-se a condição de nobre em algumas composições po´rticas. Seu pai teria sido Simão Vaz de Camões, sua mãe morreu ao dá-lo:CONTINUE LENDO
__________________________________________________________
HOMERO O POETA DAS EPOPÉIAS
Os gregos do século V a.C relembravam que, em algum lugar, num passado distante, vivera um homem chamado Homero, que compusera, havia tempo dois grande poemas épicos: "Ilíada" e "Odisséia". Mas os próprios gregos da antiguidade sabiam muito pouco a respeito de Homero. São mínimas as provas a respeito de sua existência, nunca se pode fixar de modo claro a data e o local de seu nascimento. Alguns testemunhos antigos permitem certas deduções. Homero deve ter vivido entre os séculos IX e VIII a.C.; alguns estudiosos atribuíram como época provável até o século XII a.C. Várias cidades disputam hoje a honra de ter sido o lugar de nascimento de Homero: Esmirna, Rodes, Quios, Argos, Ítaca, Pilos e Atenas.Inúmeras lendas narram a vida de Homero. Segundo uma delas, era filho de Meon, e muito cedo ficou órfão de pai e mãe, vivendo em extrema pobreza de Homero é uma que se repete nas várias
CONTINUE LENDO




