NELSON MANDELA

O ex-presidente Sul-Africano Nelson Mandela morreu aos 95 anos de complicações de uma infecção pulmonar recorrente. O estadista foi  Prêmio Nobel e anti-apartheid Nelson Mandela era uma figura querida em todo o mundo, um símbolo de reconciliação de um país com uma história brutal do racismo. Preso por conspirar para derrubar o governo do apartheid da África do Sul Mandela foi libertado da prisão em 1990, após quase 30 anos .. Em 1994, em uma eleição histórica, ele se tornou o primeiro líder negro do país. Mandela deixou o cargo em 1999, após um único mandato e se aposentou da vida política e pública.

 

História


Nelson Rolihlahla Mandela nasceu em Transkei, África do Sul, em 18 de julho de 1918, ele foi um dos estadistas e revolucionários que lideraram a luta contra o apartheid na África do Sul mais reverenciados do mundo. Advogado qualificado na University College de Fort Hare e da Universidade de Witwatersrand, Mandela serviu como o presidente da África do Sul de 1994 e 1999. Sua carreira política começou em 1944, quando ele se juntou ao Congresso Nacional Africano (ANC), e participou da resistência contra o apartheid, em seguida . Em junho de 1961, o executivo ANC aprovou sua idéia de usar táticas violentas e incentivou os membros que queriam envolver-se na campanha de Mandela. Pouco tempo depois, ele fundou a Umkhonto we Sizwe, o braço armado do ANC, e foi nomeado seu líder. Em 1962, ele foi preso e condenado por sabotagem , e foi condenado a cinco anos de prisão rigorosa. Em 1963, Mandela foi levado para ser julgado junto com muitos membros do  Umkhonto we Sizwe por conspirar contra o governo  com o uso de violência.

Condenado à prisão perpétua

Em 12 de junho de 1964, oito dos acusados, inclusive Mandela, foram condenados à prisão perpétua.
Sua declaração a partir do cais, na abertura do julgamento o tornou extremamente popular. Ele fechou sua declaração dizendo:.. "Durante toda a minha vida tenho me dedicado à luta dos povos africanos Lutei contra a dominação branca, e eu lutei contra a dominação negra tenho acalentado o ideal de uma sociedade democrática e livre na qual todas as pessoas convivam em harmonia e com oportunidades iguais. É um ideal que espero viver e alcançar. Mas, se for preciso, é um ideal pelo qual estou preparado para morrer. Mandela serviu 27 anos na prisão, passando muitos desses anos em Robben Island Prison, fora da Cidade do Cabo. Enquanto estava na prisão, sua reputação cresceu e tornou-se amplamente conhecido em todo o mundo como o líder negro mais importante na África do Sul.
Ele se tornou um símbolo proeminente da resistência com o movimento anti-apartheid ganhou impulso na África do Sul e em todo o mundo. Na ilha, ele e outros prisioneiros foram submetidos a trabalhos forçados numa pedreira de cal. A discriminação racial era galopante, e os prisioneiros eram segregados por raça  os prisioneiros negros recebiam o menor número de rações. Em fevereiro de 1985, o presidente PW Botha ofereceu a Mandela sua liberdade sob a condição de que ele rejeitaria incondicionalmente a violência como arma política, mas Mandela rejeitou a proposta. Ele fez o seu sentimento conhecido através de uma carta que ele divulgou através de sua filha. Em 1988, Mandela foi transferido para Victor Verster Prisão e permaneceria lá até a sua libertação. Ao longo de sua prisão, governo Sul-Africano sofria pressões para libertá-lo. O slogan "Libertem Nelson Mandela" se tornou o novo grito de guerra dos ativistas anti-apartheid. Finalmente, Mandela foi libertado em 11 de fevereiro de 1990 em um evento transmitido ao vivo em todo o mundo. Após a sua libertação, Mandela voltou ao trabalho de sua vida, e se esforçava para atingir os objetivos que ele e outros tinham enunciado quase quatro décadas antes. Em 1991, a primeira conferência nacional do ANC foi realizada dentro da África do Sul desde que a organização tinha sido proibida em 1960.


Presidente Mandela

Mandela foi eleito presidente do ANC, enquanto seu amigo Oliver Tambo tornou-se presidente nacional da organização. Mandela  manteve bom relacionamento com o então presidente FW de Klerk, e foram reconhecidos e premiados conjuntamente como Prêmio Nobel da Paz em 1993. A primeira eleição multirracial da África do Sul, foi realizada em 27 de abril de 1994, e viu a tempestade ANC com uma maioria de 62 por cento dos votos, e Mandela foi declarado em maio de 1994 como o primeiro presidente negro do país. Como presidente de maio de 1994 até junho de 1999, Mandela presidiu a transição do regime de minoria e apartheid, ganhando respeito internacional por sua defesa da reconciliação nacional e internacional. Mandela recebeu muitas honrarias internacionais nacionais, incluindo o Prêmio Nobel da Paz em 1993, a Ordem do Mérito da rainha Elizabeth II e com a Medalha Presidencial da Liberdade de George W. Bush. Em julho de 2004, a cidade de Joanesburgo concedeu sua mais alta honraria, concedendo a Mandela a liberdade da cidade em uma cerimônia em Orlando, Soweto. Em 1990, ele recebeu o Prêmio Ratna Bharat do governo da Índia e também recebeu a última vez Prêmio da Paz Lênin da União Soviética. Em 1992, ele foi agraciado com o Prêmio da Paz Ataturk pela Turquia. Ele recusou o prêmio citando violações dos direitos humanos cometidas pela Turquia na época, mas depois aceitou o prêmio em 1999. Também em 1992, ele recebeu o Nishan-e-Pakistan, o maior prêmio do Paquistão. A autobiografia de Mandela, "Long Walk to Freedom", foi publicada em 1994. Ele havia começado a trabalhar nela secretamente enquanto estava na prisão.


A vida amorosa de Nelson Mandela, aparentemente correm paralelas à sua vida política  e pode ser dividido em três eras principais. O jovem ativista se casou com sua primeira esposa, Evelyn Mase, em 1944. O casal, teve quatro filhos, divorciado em 1958 - pouco antes de Mandela tornou-se um fora da lei com a proibição do ANC. O segundo casamento de Mandela  e, provavelmente, o seu mais famoso - coincidiu em grande parte com o tempo que passou preso nas mãos do regime de apartheid. Em 1958, ele caminhava pelo corredor com Winnie Madikizela, que estava a seu lado e participou ativamente para libertá-lo da prisão. Winnie se tornou uma figura poderosa em seu próprio direito, enquanto Mandela estava preso, mas uma série de escândalos envolvendo Winnie  levou a separação do casal  a sua demissão de seu gabinete em 1995, o seu divórcio oficial, em 1996. O casal teve dois filhos. Winnie Mandela também foi mais tarde condenada por seqüestro. Seu terceiro casamento, com Graça Machel - a viúva do ex-presidente Moçambique Samora Machel .Com a idade de 80 anos ele entrou em seu papel de estadista mundial
Depois de uma vida dedicada à luta contra a discriminação racial e contra as injustiças sobre a população negra, o ex-presidente sul-africano Nelson Mandela morreu quinta-feira, 05 de dezembro aos 95 anos, e foi enterrado ao lado dos restos mortais de três de seus filhos  foi colocado para descansar na casa de seus ancestrais em Qunu, depois de uma despedida que misturou pompa militar e os ritos tradicionais de seu clã Xhosa abaThembu.

LÊNIN

Desde 1925, uma interminável fila estende suas dobras pela Praça Vermelha de Moscou, até um edifício cúbico e simples. É gente de todo lugar: camponeses siberianos, operários ucranianos, negros de roupas coloridas, mongóis vestidos de pele, europeus, sul-americanos e mesmo nos últimos anos turistas americanos. A fila se move lenta, e todos trazem sanduíches e revistas: chega-se de manhã e só à tarde se consegue entrar pela porta. Lá dentro, na obscuridade, num esquife de vidro e sob um foco de luz vermelha, jaz um morto embalsamado. Apenas o rosto e uma das mãos aparecem. Quiseram eternizar seu corpo, mas até as múmias lentamente se desfazem em pó. Reverente é o silêncio. Entretanto, 50 anos atrás, uma multidão agitada gritava seu nome com entusiasmo, quando ele proclamou a primeira república  socialista do mundo: "Lênin!Lênin!" Lênin ou Vladimir Ilyich Ulyanov (1870-1924) nasceu em Simbirsk no Volga (atual Ulyanovsk), e tinha 17 anos quando seu irmão terrorista membro da organização  "Vontade do Povo", foi executado por tentar assassinar o Czar Alexandre III. E nesse mesmo ano ele foi preso pela primeira vez. Largou a faculdade de Direito para estudar a obra  de Marx e Engels, e em São Petesburgo, cidade depois  rebatizada como Leningrado, escreveu seu primeiro trabalho, propondo a formação de um partido operário revolucionário. Sua atividade levou-o, até 1900, ao exílio na Sibéria, onde se casou com outra jovem revolucionária deportada: Nadezhda Krupskaya. Em 1901, já na Suíça, iniciou  publicação do Iskra (Centelha), jornal que centralizaria a luta do jovem Partido Social-Democrata Russo contra o czarismo.

1905 O ENSAIO GERAL


Na guerra com o Japão (1904-1905) o colosso russo vem abaixo, guiado por generais incompetentes e burocratas corruptos. Fome e descontentamento assolam o país. Os estudantes se manifestam, os liberais pedem a constituição, os operários se rebelam. O governo apavorado concede a constituinte. Os operários de Petrogrado criam espontaneamente  um conselho próprio: "o Soviete". Um jovem audaz, de esbravejante orátoria, é seu presidente: Trotsky, que nessa época se desentendera com Lênin e voltara ilegalmente para a Rússia. Do estrangeiro Lênin acompanha a situação e incentiva seus partidários, para que  para que participem do Soviete. Quando lhe fazem ver que à  cabeça deste está seu antigo opositor Trotsky, dá de ombros: "Que importa! Ele o merece por seu trabalho". Nessa capacidade de esquecer desavenças  pessoais e compreender  as aspirações coletivas está todo o Lênin político. A revolução é esmagada, mas Lênin prediz: "1905 Voltará!"

1914 O AÇOUGUE DOS POVOS


1914. As multidões patrióticas cobrem de flores os soldados pelas ruas de todas as cidades da Europa. Contra a inteira opinião pública inclusive a de seu partido, o "bolchevista", que se separa da ala moderada dos "menchevistas", Lênin declara que o dever dos socialistas é trabalhar  pela derrota dos próprios governos: a derrota trará a Revolução. Fazem-lhe ver a terrível impopularidade desse ponto de vista. Mas ele retruca que o marxista "não tem por objetivo agradar a opinião pública mas dizer a verdade a classe operária". E rompe com todos os que pensam diferente. Em fevereiro de 1917, sua tese é confirmada: o interminável massacre da guerra espalha um vento revolucionário pela Europa. O primeiro sintoma é o levante em Petrogrado. O Czar Nicolau II abdica e constitui-se um Governo Provisório de liberais e socialistas. Lênin, na Suíça, arde de impaciência: chegar à Rússia de qualquer modo! O governo alemão acha ótimo mandar um revolucionário para a Rússia, ele poderia provocar ali uma crise interna, e oferece-lhe transporte num trem  blindado. Os bolchevistas põem as mãos na cabeça: "Mas todo mundo vai dizer que Lênin é agente alemão!" Lênin desdenha tal precaução e toma o trem. E na própria estação de chegada faz um comício que põe seus partidários em polvorosa : desautoriza a frente única com o Governo Provisório, e lança suas palavras de ordem: paz e reforma agrária já ; derrubar o Governo; todo o poder aos conselhos de operários, soldados e camponeses.

1917 O TRIUNFO DE LÊNIN


Em outubro de 1917 Lênin está foragido. O Governo colocou os bolchevistas fora da lei. Mas o povo abandonara o Governo. E na noite de 24 para 25, sob a liderança de Trtsky, eclode a insurreição. Na noite seguinte, Lênin abre o Congresso dos Sovietes de toda a Rússia para proclamar a paz imediata  e a repartição da terra. Uma imensa ovação aclama seu nome, quando ele se declara confiante na próxima vitória da revolução em toda a Europa: logo a República dos Sovietes não estaria mais sozinha. E uma das primeiras preocupações de Lênin é a fundação de uma nova organização internacional que dirija a revolução em todos os países: o Komintern (abreviação de "Internacional Comunista"), fundado em 1919, enquanto a guerra  civil e as intervenções estrangeiras convulsionam o território soviético. Todavia, as coisas não andam tão bem como de início parecia. As revoluções, uma após outra, fracassam na Europa. Alarmado, Lênin vê dentro da própria República soviética crescer uma do  deformação perigosa: a burocracia estatal, que por todos os lados empurra as massas para fora do poder. Em 1921, no Congresso do Partido, ele já denuncia esse perigo. A solução está na revolução mundial , proclama ele. Mas Lênin está cansado e sua saúde é precária. Em 1918,  num atentado, receberá dois tiros de revólver. Nunca mais se restabelecera completamente. Morre a 21 de janeiro de 1924, deixando um testamento político que durante algum tempo é ocultado por Stálin, predisse Lênin: "Esse cozinheiro só nos fará pratos apimentados."