CONFÚCIO E A DOUTRINA DA ESSÊNCIA

No ano antes de Cristo, na província de Lu, cortada pelo rio Luan, perto da cidade de Lu-lung, na família K'ung nascia um menino. Passou a chamar-se Fu-tzu, o que significa em chinês, mestre, pois era o desejo dos pais que se tornasse sábio. Mas jamais K'ung Fu-tzu chegou a sê-lo. A pobreza interessava-o mais que a sabedoria. Estudá-la, na China de então, era estudar a  própria humanidade, e foi assim  que K'ung Fu-tzu chegou a compreender a razão  e a essência da vida: a virtude e a sabedoria. A virtude consistia em amar os seus semelhantes. A sabedoria  significava compreendê-los. No entanto,  era muito  difícil conciliar  ambas as coisas e foi em vão  que K'ung  Fu-tzu tentou divulgar  estes conceitos, pretendendo persuadir  algum governante a adotar  o ideal de justiça. Jamais realizou esse objetivo que se propôs. E talvez nunca tenha imaginado que  anos depois de sua morte , em 479 a.C., aquilo que ensinava aos pobres  da cidade e das aldeias, se transformaria numa das mais populares doutrinas da Ásia oriental, a ponto de influenciar  a cultura e civilização  de centenas de milhões de pessoas. Os europeus, ao tomarem contato  com os ensinamentos de K'ung Fu-tzu, julgaram que se tratava de uma religião.

 Chamaram-na, do nome europeizado de K'ung Fu-tzu, Confúcio, de confucionismo. Mas a doutrina  jamais chegou  a ser religião no sentido ocidental do termo. Primeiro, porque não tem Deus: venera os ancestrais, reconhece a superioridade dos sábios, mas é só. Segundo, porque  não tem templos: cada lar  é o templo onde se honram os antepassados  da família ( e só muito temo depois, para maior comodidade, é que  se iniciou  a construção  dos templos locais, mas sem o sentido do lugar  destinado  à veneração  de um ser supremo). Terceiro, porque não tem sacerdotes: o chefe da família é automaticamente o sacerdote da família. E quarto porque desconhece qualquer dogma ou livro santo: pode um só livro  conter toda a sabedoria do mundo? E será possível excluir os sábios que podem surgir no futuro?Decerto , existe céu, sobrenatural e misteriosa fonte  da verdade e da bondade. Mas a sua essência  escapa ao homem, que somente  pode aproximar-se dela através da educação e do estudo, e não o céu , ou como diríamos nós: não a religião, é a autoridade suprema , pois só através do estudo é que o homem é capaz  de desvendar, se bem que em parte, a essência da vida. A essência  da vida é jen. Jen é uma palavra chinesa, monossilábica, como quase todas elas, e de significado  múltiplo . Jen quer dizer: humanidade, bondade, compreensão, amor. O conceito do jen emana dos ancestrais, mas muda com o tempo. Nada sendo imutável, nada pode ser dogmático. A renovação dos valores é um dos pontos mais importantes do confucionismo.

Chamado de "doutrina da essência", o confucionismo não podia deixar de evoluir. E foi o próprio neto do seu criador , Tzu Ssu (483-402 a.C.), que conjugou  os princípios do jen  com o "valor básico  da existência: a harmonia". Só dentro da harmonia, dizia, é que pode existir a renovação positiva do homem. Mas, acreditando na bondade inata  do homem , a doutrina parecia desconhecer  a existência dos elementos negativos e nocivos da vida. Esta parte  foi complementada no século II a.C.  com a introdução  da filosofia Yin Yang. A vida humana, dizia então o filósofo  Tung Chungshu, desenrola-se, decerto , dentro  da harmonia  e almejando o jen , mas sempre dentro da grande luta cósmica  entre a força negativa yin  e força positiva yang. É  bom seguir yang  e aproximar-se do jen, mas nenhum pecado  existe ao seguir  yin, pois ambos  fazem parte do Universo. E, a partir desta colocação do problema , o confucionismo  foi proclamado  doutrina oficial. Isso ocorreu em 136 a.C. Foram criadas universidades para formar sábios  que seriam  a base da sociedade . A doutrina foi introduzida  nas escolas, a fim  de que todos pudessem  aperfeiçoar-se  e atingir o jen. Mas, evoluindo , incorporou  mais um princípio , li, a razão , e já no século  XVI, após o contato  com os europeus , mais  um, chi, força; assim passou a justificar  todos os atos do homem,  mesmo aqueles em que era negado o jen. A evolução  do confucionismo foi barrada e pai, a terra  é minha mãe, todos  os homens são meus irmãos, todas  os homens são meus irmãos, todas as coisas  são minhas companheiras" E só se chega à perfeição  quando se consegue  unir em si o céu  e a terra, os homens e as coisas, e viver a vida em sua plenitude, respeitando a plenitude  dos outros, compreendendo que tudo no mundo é ligado com tudo e que tudo o que existe vem a ser a mesma coisa

Por André Felipe

GIOTTO: UM ARTISTA DESCOBRE O HOMEM

Dizem que nasceu no ano da graça de 1266. Dizem que nasceu em Vespignano, uma pequena localidade perto de Florença. Dizem que seu pai era dono de uns alqueires de terra estendidos pelas escarpas dos Apeninos e que mais serviam para pasto que para agricultura. Assim ,  pequeno Ambrogiotto di Bondone cresceu nos pastos e pastor se fez. Muitas coisas dizem ainda sobre a vida de Giotto, para preencher os vazios da biografias de um dos mais humanos artistas de sua época. Mas nada foi até agora provado, nem sequer aquela lenda, quase aceita como verdade histórica, co encontro do pastor Ambrogiotto com a fama: estava ele, diz a lenda, com seus rebanhos nas encostas dos vales que cercavam as terras de Vespignano e, como, sempre, muito mais preocupado  em desenhar as ovelhas numa pedra lisa, com pedaços de madeira queimada, que em cuidar delas, como um bom pastor. Um estranho passeava então pelas montanhas que ligam Toscana a Emília, duas importantes províncias italianas, e parou ao lado do menino. Talvez parasse apenas para perguntar o caminho; talvez pretendesse descansar por alguns instantes em companhia de alguém. Mas fato é que parando , viu os singelos desenhos do garoto e não mais seguiu viagem. Indagou ao rapaz se queria se aperfeiçoar na arte de pintar e, talvez, quem sabe, tornar-se pintor. Da resposta positiva ao pedido da bênção concedida pelo pai, foi apenas o tempo de chegar à casa dos di Bondone.

Mas é fato incontestável que por dez anos o jovem Giotto ficou no estúdio florentino do estranho viajante que era Cenni di Pepo em pessoa, mais conhecido na História da Arte por seu apelido, Cimabue. Dante Alighieri escreveria na sua "Divina Comédia" ("Purgatório", 11, 94-96) que Cimabue era de fato o maior pintor da época, mas só até o momento em que ele foi ultrapassado pelo seu próprio discípulo . Depois só  se sabe o que pintou, onde e quando. E que ele faleceu no dia 8 de janeiro de 1337, pois assim consta  das "Crônicas" de Villari, que lá pelo ano de 1373, apareceram em versão rimada, para que todos pudessem decorar, repetir e até cantar  a vida dos maiores heróis daqueles tempos: dos pintores, que sem força física ou militar, conquistariam para cultura ocidental milhões de adeptos  até nos séculos vindouros, e que, sem poder  político nem meios de pressão, souberam humanizar o homem dentro dos conceito de amor e da serenidade. Por isso pouco importa ignoramos os detalhes da vida pessoal  de Giotto ou sabermos, por exemplo, que se casou com Ciuta (isto é, Ricevuta di Lapa de Pera), de quem teve oito filhos. O que importa é sua obra, as idéias que, através dela, transmite para posteridade. E o homem que descobre.

DE ASSIS, COM AMOR


Assis é uma pequena cidade em pleno centro da antiga  província montanhosa da Itália chamada Úmbria. Ali, em 1181, filho do nobre mercante Pietro di Bernardone, nasceu Francisco, jovem culto, mas tão dado às empresas bélicas que de bom  grado participou, em 1202, de uma guerra contra Perugia, uma das muitas que assolavam então a  Itália. Travou-se luta feroz e essa ferocidade levou Francisco a trocar a guerra pela paz e pelo amor ao próximo. Em 1209, o ex-guerreiro foi a Roma com um grupo de seus discípulos para receber do Papa o reconhecimento da ordem  que, propondo-se a imitar terra na vida de Cristo, tentaria implantar o amor não apenas nos homens, mas, também, a todos os seres e coisas. Os pássaros, dizia Francisco, são nossos irmãos; também o Sol e a Lua , assim como todos os nossos semelhantes. Esses ensinamentos impressionaram tanto a Giotto  que ele passou quatro anos de 1296-1300 aproximadamente, decorando a Igreja de São Francisco (então erguida na cidade natal do Santo), com uma série de afrescos dedicados à vida daquele que, como dizia, o levou a ver e sentir que a Terra era bela e os homens bons. Os 28 afrescos comprovam que é assim mesmo.

DE ROMA, COM FÉ


Era então Papa Bonifácio VIII. Homem culto, formado em direito, entendendo que, em sua época, a supremacia era da religião, dedicou-se a combater as tentativas dos reis que, em várias regiões da Europa, mas principalmente na França, tentavam libertar-se da tutela de Roma. Mas essa tutela era para o papa a própria lei. Para defendê-la, convocou um concílio; para impô-la, chegou a excomungar o rei da França. E, empenhado nas lutas temporais, quase chegou a ser preso por seus inimigos. Mas também foi  este papa que trouxe a Roma o já então conhecido pintor dos Afrescos de Assis, Giotto. Em Roma, Giotto transformou seu estilo  e realizou um grandioso mosaico: "Cristo Passeando sobre as Águas" (Que está na Catedral de São Pedro). Pintou também um altar  para o Cardeal  Stefaneschi (Hoje na galeria do Vaticano) e participou  da pintura do mural que perpetuava a proclamação  pelo papa no ano , jubileu , 1300 (na Igreja de São João de Latrão). Mas não esqueceu o seu São Francisco: o retrato do Santo recebendo as chagas de Cristo está hoje no Museu do Louvre, em Paris. Várias obras menores datam daqueles quatro anos, que jamais seriam esquecidos pela história da Arte.

COMO GIOTTO PINTAVA

 

Quadro"A Fuga do Egito"
Por que Giotto pintava, homens maiores que árvores e quase iguais a montanhas? Ele sabia que essas proporções não correspondem à natureza. Mas com essas proporções Giotto via o mundo: Uma hierarquia das coisas. O homem, na obra de Giotto, ocupa lugar maior. E não montanhas. E não as árvores. E não os animais. Giotto quis humanizar a realidade que o cercava Giotto preocupava-se com a realidade, embora modificasse seus aspectos pelo mundo. Que a seu redor existem exatamente as árvores e montanhas. Os seus antecessores na Idade Média, no Ocidente ( onde imperava o estilo gótico) ou no Oriente (onde surgiu o estilo bizantino), só se interessavam pela hierarquia em forma de grandeza: Deus era pintado mais alto do que Cristo; Este, maior do que os anjos, estes maiores do que os santos, e assim por diante.  E nada existia que os cercasse. O fundo tinha cor de ouro, mas era vazio. Visava apenas formar efeito decorativo. Giotto transformou este efeito sem sentido numa estrutura da realidade. E soube dar  aos personagens estáticos que pintava o dinamismo de sentimentos e de movimentos. Por tudo isso, ele é considerado um precursor da pintura renascentista, embora vivesse no século XIII.

DE PÁDUA, COM SEVERIDADE


Então Milão e Veneza, bem no vale do Pó, fica a antiga cidade de Pádua. Vivia naquela cidade um usuário que, de tão conhecido, até foi estigmatizado por Dante na "Divina Comédia" como a personificação do mal. Chamava-se Enrico Scrovegni. E existiam naquela cidade também uns arruinados vestígios de um anfiteatro romano. Terreno e ruínas pertenciam ao usurário que para expiar os pecados seus e dos pais, como diziam as más línguas, ergueu ali uma capela. Chamou-a Capela dos Scrovegni, mas o povo preferiu  chamá-la de Arena, como denominava o anfiteatro. Para decorá-la, ninguém melhor havia naquele período do que Giotto. Era um artista caro: dizem as crônicas que a cidade de Florença lhe outorgou uma pensão vitalícia e que o preço de seus quadros era alto. Mas o preço pouco importava a Scrovegni. Assim, Giotto chegou a Pádua. Talvez com intenção, escolheu como tema de seus afrescos o "Último Juízo" e "A Vida e a Paixão de Cristo". Com a mesma intenção, quem sabe, pintou também a severa personificação das Virtudes e dos Vícios, para que a tivesse em mente o rei da usura local. Fosse como fosse, mais uma obra imorredoura pode ser criada em Pádua por mestre Giotto

 

DE FLORENÇA, COM ALEGRIA


Depois de tantos triunfos, Giotto chega a Florença, cidade quase natal onde se tornou  famoso e que acolheu como filho. Alguns altares, alguns crucifixos para as igrejas florentinas, a decoração com pinturas murais de várias capelas familiares, dos Bardi, Spinelli, Peruzzi, na famosa Igreja de Santa Cruz, e eis que o rei de Nápoles lhe outorga o título honorífico de membro da casa real e o convida  para o Sul da península. Mas, por alguma razão até agora desconhecida, nenhuma das suas obras  daquele período chegou às nossas mãos, foram perdidas ou até destruídas todas elas. Depois de Nápoles, volta às regiões pátrias. Uma passagem por Bolonha, uma curta estada em Milão, uma visita a Assis, e Giotto, sempre acolhido triunfalmente como um verdadeiro herói, volta a Florença. A cidade toda concentra-se então num esforço supremo: erigir uma catedral digna da riqueza material  e espiritual da sua população. E Giotto, embora jamais se ocupasse da arquitetura, é nomeado o capomaestro supervisor da construção. Desenhou então o campanário, mas jamais pode vê-lo. Faleceu antes do término.

HOMERO O POETA DAS EPOPÉIAS

Os gregos do século V a.C relembravam que, em algum lugar, num passado distante, vivera um homem chamado Homero, que compusera, havia tempo dois grande poemas épicos: "Ilíada" e "Odisseia".  Mas os próprios gregos da antiguidade sabiam muito pouco a respeito de Homero. São mínimas as provas a respeito de sua existência, nunca se pode fixar de modo claro a data e o local de seu nascimento. Alguns testemunhos antigos permitem  certas deduções. Homero deve ter vivido entre os séculos IX e VIII a.C.; alguns estudiosos atribuíram como época provável até o século XII a.C. Várias cidades disputam hoje a honra de ter sido o lugar de nascimento de Homero: Esmirna, Rodes, Quios, Argos, Ítaca, Pilos e Atenas.
Inúmeras lendas narram a vida de Homero. Segundo uma delas, era filho de Meon, e muito cedo ficou órfão de pai e mãe, vivendo em extrema pobreza de Homero é uma que se repete nas várias biografias. Aprendeu  história  e música e, a seguir, tornou-se mestre na escola que frequentara. Mas não permaneceu muito tempo em sua terra: um mercador, Mente, levou-o em suas viagens através de Mediterrâneo. Nesta época, teria chegado ao Egito, Líbia, Ibéria e Itália. Esteve algum tempo na ilha de Ítaca, onde reuniu dados para escrever a vida de Odisseu, , conhecido pelos latinos como Ulisses, o aventureiro rei da ilha. Em Ítaca  teve os primeiros sintomas de uma grave doença dos olhos, que o cegou para o resto da vida. Continuou porém sua viagens indo para Quios, onde completou o primeiro grande poema: "Íliada". Retomando as viagens por mar, foi até a pequena ilha de Io, onde morreu.

Este é o resumo de uma das muitos fantasiosas biografias de Homero que formam escritas. A falta total de dados sobra  vida do legendário poeta levou à crença de que não fosse um personagem real, chegando-se inclusive a negá-lo completamente. Julgou-se que os poemas se originaram de dois breves contos muito antigos, e dispersaram-se oralmente durante gerações, passando por constantes modificações e acréscimos. A partir de meados do século XVIII o  interesse pela figura do poeta cresceu de tal maneira que surgiu uma verdadeira "questão homérica". Teses inteiras foram elaboradas, afirmando ou negando sua existência.

A TRADIÇÃO ÉPICA


A "Íliada" desenvolve-se em torno do cerco a queda de Ilion, antigo nome de Troia, que provavelmente se deu no século XIII a.C. O poema descreve com precisão o mundo grego dessa época. No entanto, a maior parte das teorias afirma que os poemas só foram elaboradas por volta do século IX a.C., ou seja cerca de 400 anos após a guerra . Isto teria sido  possível graças à manutenção oral das tradições e costumes, efetuada pelos rapsodos, trovadores, que viajavam de cidade em cidade, cantando poemas épicos e histórias de aventuras nas cortes dos reis e nos acampamentos guerreiros. Em geral eram homens de imaginação fértil, que construíam os poemas com base nos fatos que lhes eram contados; um amplo manancial de frases e comparações, transmitindo de geração a geração, facilitava a criação de poemas sobre qualquer  tema que lhes fosse solicitado. Homero pode ter sido uma espécie de rapsodo, um soberbo  contador  dos épicos da antiga Grécia. Nunca escreveu os poemas, pois na época de sua provável existência a escrita não chegara à Grécia. Tal como outros poemas históricos, também a "Ilíada" e a "Odisséia" devem ter-se conservado graças à tradição oral. Na obra atribuída a Homero aparecem frases, comparações e técnicas dos antigos rapsodos, embora o resultado geral seja muito superior. Mas, em contraposição à maioria dos poemas épicos daquele tempo, uma característica que distingue esta obra  é a sua extensão e a unidade. A "Íliada", por exemplo, levaria cinco noites para ser contada.

A teoria moderna a respeito da origem das epopeias sustenta que há em sua formação um material épico flutuante e tradicional, mantido e transmitindo oralmente e do qual o poeta pode suprir-se para confeccionar com harmonia o poema, de acordo com seu ideal de composição. Os dois poemas apresentam certa unidade; a diferença entre eles pode ser atribuída à diversidade das épocas a que se referem. A "Íliada" caracteriza-se pelas aventuras guerreiras da conquista de Troia; a "Odisseia", que descreve a viagem de Ulisses em sua volta para Ítaca, após a guerra de Troia, concentra-se mais na paz , vida doméstica, civilização urbana, viagens de prazer. Mesmo a variação  de dialetos que foi observada nos poemas apresenta-se igualmente na "Íliada" e na "Odisseia": não pode constituir um elemento que caracterize os poemas como de autoria diversa. Entretanto, tenha Homero existido ou não , a "Íliada" e a "Odisséia" continuam a ser lidas. Mesmo que o autor tenha sido outro,  nome de Homero está profundamente associado a elas e assim  será sempre.

A DIFUSÃO DOS POEMAS


Na Grécia antiga as histórias que narravam o cerco e destruição de Troia estavam entre as preferidas dos ouvintes. Provavelmente a "Ilíada" foi imaginada  para uma audiência familiarizada com o panorama histórico, pois Homero  menciona livremente acontecimentos do passado, confiante por certo em que os ouvintes entenderiam as casuais referências. No século  VII a.C., rapsodos de toda a Grécia  recitavam trechos da "Ilíada" e da "Odisseia". Ficaram conhecidos como  "homéridas", pois contavam histórias criadas por Homero. Segundo a tradição , o estadista ateniense Pisístrato (605-527 a.C.) foi quem pela primeira vez  mandou colecionar todos os poemas esparsos, desempenhando assim papel de primordial importância na educação grega, já que as qualidades dos heróis épicos passaram a servir como padrão de comportamento. Mais tarde em Roma, Homero foi o mais bem acolhido dos escritores gregos: lido, admirado, traduzido e imitado. À  sua semelhança Virgílio (70-19 a.C.) escreveu "Eneida". Muitos séculos depois, a influência de Homero levaria o português Luís Vaz de Camões  (1524/1525-1580) a escrever  "Os Lusíadas" e o inglês John Milton (1608-1674) a criar seu "Paraíso Perdido". E até hoje, quando queremos referir-nos a grandes feitos, falamos em façanhas homéricas, e por odisseias entendemos os empreendimentos sobre-humanos, como a viagem de Ulisses e a guerra de Troia.

DOUTOR HIPÓCRATES

"Prometo que ao exercer a medicina, mostrarme-ei sempre fiel aos preceitos da honestidade, da caridade e da ciência; penetrando no interior dos lares, meus olhos serão cegos e minha língua calará os segredos que me forem revelados, o que terei como preceito de honra; nunca me servirei da minha profissão para corromper os costumes ou favorecer o crime. "Se cumprir este juramento com fidelidade, gozem para sempre a minha vida e a minha arte de boa reputação entre os  homens. Se o infringir, ou dele me afastar, suceda-me o contrário". Esse é o juramento pronunciado pelos médicos de todo o mundo, ao se iniciarem  na profissão . Solenemente, ele é repetido em coro nas cerimônias de formatura e resume uma fórmula antiquíssima, atribuída a Hipócrates. O valor desse homem, tido como o "pai da medicina", pode ser julgado pelas palavras do juramento. Hipócrates viveu no século V a.C. Há quase 2500 anos, portanto, ele determinou normas de comportamento para os médicos que são válidas em todas as épocas,  sejam quais forem os progressos da ciência. Sua vida não é conhecida com exatidão. Como acontece com todos  os homens de fama, os fatos reais ganham uma aura de lenda. Por esse motivo, as volumosas biografias de Hipócrates, encontradas em antigas bibliotecas, narram fantasiosamente episódios de sua infância, descrevem suas viagens, relatam mesmo suas ásperas discussões com os médicos do tempo. Estes se utilizavam mais da magia que da ciência. Hipócrates, não.

Como verdadeiro precursor que foi, realizava até trepanações do crânio, sob o olhar atento de seus discípulos. Praticava essa operação , audaciosa para sua época, a fim de eliminar o excesso  do líquido  encefálico, causador da perda de visão. É realmente maravilhoso constatar que esta mesma intervenção cirúrgica, pela mesma razão, somente nos fins do século XIX seria retomada, embora no Egito fosse prática corrente. Hipócrates era grego e nasceu em 460 a.C., na ilha de Cós, na costa da Ásia  Menor. A data de sua morte é incerta: alguns biógrafos  dizem que viveu 85 anos, outros  lhe dão 110 anos. Foi sepultado em Larissa, na Tessália, e durante muitos séculos o povo da cidade venerou o túmulo de Hipócrates, onde um enxame de abelhas tinha construído seus favos. Supunha-se que o mel dali recolhido tinha grandes qualidades curativas. Essa crença demonstra até que ponto a fama do sábio se havia propagado.

UM DESCENDENTE DOS DEUSES


Dizia-se que Hipócrates era descendente de Asclépio, deus grego da medicina (o Esculápio dos  latinos), por parte de pai, e de Hércules, por parte de mãe. Outra tradição afirma que foi membro de uma sociedade secreta conhecida por Asclepíades (dos filhos de Asclépio), que congregava os sábios e estudiosos. De acordo com a lenda, Hipócrates teria inicialmente  praticado a medicina em Cós, tratando dos doentes que buscavam as fontes terminais da cidade. Viajou pelas cidades e países do mundo grego, estudando a constituição física das populações e sus doenças mais frequentes. Teria chegado até Cnido (onde havia uma escola de medicina), Tessália, Egito e Cítia. Entre seus clientes figuravam muitos chefes de Estado. Consta que recusou um convite de Artaxerxes I para atender ao exército persa, vitimado por uma epidemia. Para isso alegou que sua honra não lhe permitia socorrer inimigos de sua pátria.

A COLEÇÃO HIPOCRÁTICA


Por volta de 300 a.C, começaram a circular textos de medicina que ficaram conhecidos como Coleção Hipocrática. O nome de Hipócrates merecia tanto respeito que servia para englobar num só grupo os trabalhos inspirados em sua doutrina. Por esta razão tem sido posta em dúvida a autoria desses livros: se alguns seguramente pertencem  ao mestre, outros se devem  a discípulos e seguidores. A Coleção compõe-se de 53 tratados, nos quais podemos descobrir os ensinamentos de Hipócrates e ter uma idéia do que pensava. A ele são atribuídos os seguintes escritos: O Juramento, Tratado sobre o Mal Sagrado, Os Ares, as Águas e os Lugares, O Prognóstico o primeiro e terceiro livros do Tratado sobre Epidemias, A Medicina  Antiga e Os Aforismos. A coleção Hipocrática está entre as principais obras que abordaram a medicina como ciência natural e experimental. Hipócrates separou a medicina da filosofia, tirando-a do caminho da especulação abstrata para colocá-la na trilha do estudo racional. Em outras palavras, recorreu à razão para avaliar os dados extraídos da experiência. Essa orientação contrariava os médicos-feiticeiros, que atribuíam todas as doenças a forças divinas e misteriosas. A superstição reinante na época dava margem a estranhas receitas. Por  exemplo, exigia-se que o doente de epilepsia (chamada "o mal sagrado") vestisse roupas negras, não colocasse um pé sobre o outro e não usasse pele de cabra. Tudo isso para afastar o demônio causador da moléstia...

O MÉRITO QUE FICOU


Hipócrates estabeleceu os passos principais a serem seguidos pelo médico: primeiro descobrir os sintomas ou sinais da doença; depois, a diagnose, ou seja, a identificação da moléstia; em seguida, a terapia, isto é os meios de cura. Uma vez que a própria  natureza humana reage às doenças, a tarefa que ficava reservada ao médico era a de ajudar ao máximo esta capacidade natural de restabelecimento. "Os sintomas não são a doença". Essa afirmação  foi uma descoberta valiosa da escola hipocrática. Hipócrates descreveu sintomas de muitas doenças e indicou seu tratamento. Deixou extenso receituário, à base de plantas, que hoje está inteiramente superado: na época não se conheciam bem a anatomia (constituição do corpo) e a fisiologia (seu funcionamento). Seu mérito foi apontar , com dedo de mestre , o método pelo qual a medicina  se tornaria uma ciência.

ALGUNS AFORISMOS DE HIPÓCRATES


"A vida ´breve, a arte longa; a ocasião favorável é fugaz, a experimentação insegura; o julgamento é dificíl e o médico deve estar pronto não apenas a fazer ele próprio seu dever, mais inclusive a estimular a colaboração de seu paciente , de seus assistentes, em suma, de todos"

"Para males extremos , remédios extremos"

Os velhos suportam o jejum com muita facilidade; os adultos  o suportam menos, pouco os adolescentes, e mal as crianças, principalmente as que são dotadas de maior vitalidade"

THOMAS HOBBES

"Se o princípio de que a soma dos triângulo é igual a dois ângulos retos fosse contrário ao interesse  dos proprietários, ter-se-ia  tentado anulá-lo, queimando os livros de geometria" Thomas Hobbes falava assim para os que sobrepunham a paixão ao conhecimento. O ser humano, enquanto satisfeito, viveria em paz, não por amor à própria paz, mas por interesse egoísta. Esse é o princípio de sua obra mais famosa o Leviatã, um tratado político que lhe valeu algumas perseguições e muitos discípulos.

DEPOIS DO PODER

Duas capitais serviam de ponto estratégico para o domínio espanhol sobre a Europa: Madri e Viena. Era um império, representado pela casa de Habsburgo, que se estendia do Sul  dos Países Baixos à Lorena e aos desfiladeiros do baixo Reno. Sob a inspiração do Rei Filipe II (1527-1598), o catolicismo era a grande força daquele tempo, mas lutava contra a Reforma, que iria provocar a ruptura do poder universal ditado pela Espanha, e a ascensão da Inglaterra. Para garantir seu domínio, a Espanha mantinha fabulosa armada, pronta para defendê-la de possíveis investidas rebeldes e para avançar sempre sobre os mares não conquistados. Em 1588 a Invencível Armada tentara  suprimir no nascedouro o recente e já ameaçador  poderio marítimo da Inglaterra.  Forçada a entrar no canal da Mancha, foi destruída pelos ingleses e pelas tempestades. Nessa nova fase da história  nascia Thomas Hobbes, um dos seus analistas, autor de obras que abrangem conceitos de psicologia, política, física e matemática.

O MEDO, UMA EXPLICAÇÃO


Contam os biógrafos que Hobbes nasceu prematuramente. Sua mae estaria sob tensão, provocada pelo terror da guerra entre Espanha e Inglaterra. Alguns intérpretes chegam a ver nesse primeiro e sofrido acontecimento da vida do filósofo um fator a marcá-lo para sempre. Assim, além dos motivos sociais e políticos, razões psicológicas poderiam talvez ter também  contribuído para que suas obras refletissem o conflito entre a soberania do Estado e a desconfiança dos súditos. Hobbes nasceu em Westport, Inglaterra. Seu pai era um vigário inculto e violento. Certa vez, bem na porta de sua igreja, teve uma briga com o vigário vizinho. Depois dessa alteração, Hobbes passou a ser educado por um tio. Estudou os clássicos  e com catorze anos, traduziu  Medéia, escrita por Eurípides, para versos latinos. Aos quinze, foi para a Universidade de Oxford, onde aprendeu lógica escolástica e filosofia, principalmente do grego Aristóteles. Em seu tempo, era comum os homens de cultura  servirem de preceptores aos nobres. Hobbes foi autor de Hardwick (depois segundo Conde de Devonshire), com quem fez longa viagem. Tinha então apenas vinte anos. Justamente nessa época, começou a estudar obras de Galileu  e de Klepler, dois sábios que em sua época  abalaram a visão que o mundo tinha sob o Universo. Depois da morte  do conde, Thomas Hobbes se fixou em Paris. Estudopu a obra de Euclides, foi também à Itália e visitou Galileu, que teve influência decisiva em sua formação. Voltou à Inglaterra em 1637.

Na rivalidade entre "cavalheiros" (partidários do rei) e "cabeças-redondas" (parlamentares puritanos e prebisterianos), Hobbes estava francamente a favor do poder real. Assim, quando o Arcebispo Laud e o Conde de Strafford, principais auxiliares do rei, foram levados à torre acusados de conspiração, Hobbes retirou-se para a França. Seu tempo em Paris foi de intensa atividade intelectual. Refutou Descartes, ensinou  matemática ao futuro Carlos II (filho de Carlos I), da Inglaterra, que também se achava no exílio. Finalmenmte, lançou o Leviatã (1651), com que desgostou a Igreja Católica e o Governo francês. Sob pressão de ambos foi obrigado a deixar o país. Voltou a Londres e se declarou submisso a ministro inglês Cromwell. Durante os últimos anos de sua vida, Hobbes ocupa-se da tradução da Ilíada e da Odísseia  em versos latinos. E escreve também sua autobiografia na mesma métrica. Em 1679, com 91 anos, pretende acompanhar o sucessor do segundo Conde de Devonshire; mas não consegue iniciar a viagem e falece, em Hardwick.

POLÍTICA, SEMPRE


Seguindo a linha de pensamento inaugurada na Inglaterra por Francis Bacon, Hobbes afirmava que todo conhecimento provinha dos sentidos. Era, portanto, empirista. Mas, ao mesmo tempo, mostrava o valor da razão, que permitia que as experiências sensíveis fossem organizadas para atender às necessidades  humanas. Aplicando tais idéias à análise da vida social, formulou uma teoria política, de defesa do Estado absoluto, exposta sobretudo, na obra Leviatã  (nome do monstro que segundo o livro de Jó, na Bíblia, governava o caos primitivo). Argumentava Hobbes: os homens, originariamente, estariam movidos por interesses exclusivamente individuais; esse "estado natural" da humanidade seria de permanente guerra de cada um contra os demais, o homem era "o lobo do homem" . Tal estado, porém, impedia a própria sobrevivência, exigindo que os indivíduos entrassem em acordo para permitir a vida da coletividade. Esta, então , se transforma em sociedade, politicamente organizada, desde que cada um  ceda parte dos seus direitos individuais transferindo-a para um  poder central, todo-poderoso: o Estado. O Estado, resultado de um acordo, seria no fundo um artifício indispensável para contrabalançar os interesses individuais em conflito. Hobbes expôs as sua idéias ainda em outras obras que, ao lado do Leviatã, influenciaram profundamente o pensamento político, até os dias de hoje: De Cive (1642), De Corpore (1655) e De Homine (1658)

JOHANN MENDEL

No dia 6 de janeiro de 1884 morreu o obscuro abade de um obscuro mosteiro na cidade de Brno, na Morávia. Os monges lamentaram-no, pois fora um homem bom. E muitas pessoas o tinham na conta de um grande cientista. Mas se  perguntassem  por que, poucos saberiam responder. Para  ciência oficial, o abade Mendel era um desconhecido. Sua obra sobre hereditariedade cobria-se de poeira na blibioteca local, desde quando publicada em 1866, nas atas da Sociedade de Ciências Naturais. E assim ficou por 34 anos, até que em 1900, agindo independentemente, três botânicos - K.Correns, na Alemanha, E. Tcherrmak, na Áustria, e H.De Vries, na Holanda-redescobriam as leis de Mendel, desenterram seu trabalho e proclamam sua importância.

ENTRE A ESCOLA E O JARDIM


Johann Mendel nasceu a 22 de julho de 1822, em Heinzendorf, na parte da Silésia que então pertencia à Áustria. Na fazenda do pai costumava observar e estudar as plantas. Sua vocação científica desenvolveu-se paralela à vocação religiosa. Em 1843 entrou no Mosteiro Agostiniano de São Tomás, em Brno (então Brunn), onde foi ordenado padre com o nome de Gregório, tornou-se abade e passou o resto a vida.

O PROFESSOR REPROVADO


Só saiu dali entre 1851 e 1853, enviado à Universidade de de Viena por seu superior, que queria dar ao jovem clérigo uma oportunidade de desenvolver seu interesse pela ciência. Após três anos de dedicação à física, química, biologia e matemática, voltou à província. E dividiu seu tempo entre lecionar numa escola técnica e plantar ervilhas no jardim do mosteiro. Com alguns colegas de magistério, fundou em 1862 a Sociedade de Ciências Naturais. E, paradoxalmente, enquanto tentava ser aprovado oficialmente como professor  de Biologia- o que o um novo ramo dentro das ciências biológicas: a genética, ciência da hereditariedade. Apesar da paixão de Mendel por botânica e zoologia, lá por 1868 seus deveres administrativos do convento cresceram tanto, que ele abandonou por completo o trabalho científico. Quando morreu, querelava com o governo por uma questão de tributos exigidos do convento . Sua vida privada lembra a de muitos grandes homens, ou seja, nada tem de especial. Tudo nela- exceto a circunstância de que um dos pais da moderna biologia foi impedido de lecionar biologia, se confunde com sua obra.

AS LEIS PROCURADAS


Há  muito tempo são conhecidos os fenômenos de hereditariedade. Sua causa porém , o mecanismo interno que determina a semelhança dos descendentes aos progenitores, constituía um dos mais árduos problemas da biologia. As expedições da hereditariedade devem mostrar como se realiza a transmissão dos caracteres. Já que a maioria dos seres vivos se desenvolve a partir da célula-ovo, formada pela reunião de um gameta masculino (espermatozóide)  e um gameta feminino (óvulo), as várias teorias procuraram nos constituintes do ovo os responsáveis por essa transmissão. Todas essas teorias admitiam a exist~encia , no ovo, de partículas materiais que se distribuem entre as células do corpo e determinam  a diferenciação de cada uma delas, no sentido requerido pela hereditariedade. Essas partículas receberam nomes diversos : unidades fisiológicas (Spencer), gêmulas (Darwin) determinantes (Weismann). Elas concentrariam  em si o conjunto de caracteres legados pelos reprodutores aos descendentes (herança).

Geralmente se pensava  que os filhos representassem um meio-termo entre seus genitores , dos quais herdariam , em partes iguais , caracteres morfológicos e fisiológicos . Essa era uma crença ingênua. De fato, se cruzarmos um cavalo de pelo branco com uma égua de pelo negro , o potro resultante dessa união  não é obrigatoriamente  de estatura mediana  e pelo pardo: pode herdar os caracteres do pai, sendo um animal branco e de boa envergadura; ou os da genitora, sendo então preto e de pequeno porte; pode ainda combinar os caracteres de ambos. No caso  em que o produto patenteia apenas um dos caracteres, ou do pai ou da mãe, o caráter que prevalece chama-se dominante, e o que ficou encoberto ou mascarado denomina-se recessivo. Recessividade de dominância, sem estes nomes , eram fatos desconhecidos antes de Mendel. Mas só com ele entraram na ciência , ganhando nomes e sentidos preciosos. Mendel teve a idéia de cruzar entre si plantas da mesma espécie, mas de variedades diferentes, distinguindo-se  uma das outras por um único carater bem marcante, e observar depois a que regras obedecia a transmissão  desse caráter  aos descendentes. Dessa maneira, simplificou os resultados e a isso, sem dúvida, deve o êxito de seus trabalhos. Suas pesquiss conduziram ao descobrimento das primeiras leis  quantitativas da biologia.
Mendel ainda desenvolveu e muito a pesquisa sobre genética humana criando conceitos usados até hoje e que com certeza serão usados pela eternidade o graduando assim com o maior cientista sobre genética de todos os tempos.
Mendel morreu à 6 de janeiro de 1884, vítima de um edema pulmonar. Depois de sua morte um monge recolheu parte de seus escritos e os incendiou.