ALFRED NOBEL

Nos primeiros anos de século XIX,  Estocolmo era uma cidade silenciosa, não muito grande, habitada, na maior parte, por abastados comerciantes suecos e noruegueses, que dominavam todo o movimento de permutas comercias entre a Europa do Norte e a Rússia. Era uma cidade que se ia estendendo progressivamente, enquanto as primeiras indústrias surgiam no limiar dos vastos bosques, e nos estaleiros trabalhava-se àlacremente em torno das "modernas" construções navais. Justamente neste período de evolução e de desenvolvimento nascia, em 21 de outubro de 1833, Alfred Nóbel. O pai, um engenheiro muito estimado pela sua viva inteligência e empreendimento, dedicara-se, desde vários anos, ao estudo de explosivos, de sua composição química e seus efeitos. E, entre outras coisas, conseguira fabricar o primeiro tipo de uma "mina submarina", um engenho de guerra sobre o qual já haviam posto os olhos diversas nações a fim de se apropriarem da invenção. Era ainda muito criança o pequeno Alfred Nobel, quando a Rússia ofereceu a seu pai a possibilidade de transferir-se para São Petesburgo, a fim de ali construir um estabelecimento para a produção, em grande estilo, de minas. Era o destino de Alfredo Nóbel:nascer, crescer e viver entre explosivos de toda espécie! E era  natural que, ao tornar-se adulto, se dedicasse ao estudo dessa matéria. Iniciados os estudos em Estocolmo, precisou , precisou prossegui-los em São Petesburgo, quando o pai resolveu transferir-se para lá mas conclui-os nos Estados Unidos, aonde fora enviado, para aperfeiçoar-se em engenharia mecânica.

A profunda genialidade de Alfred não demorou muito em revelar-se. Guiado pela experiência e pelo amor paterno e iniciados os estudos nessa particular matéria, que parecia ser uma tradição familiar, bem cedo o rapaz teve seu nome no noticiário dos jornais e revistas especializadas, devido a algumas invenções nos vários campos da mecânica. Não alcançara ainda os vinte anos, quando tirou uma patente para um gasômetro especial e um novo tipo de medidor de água. Infelizmente, um triste período estava por chegar aos Nóbel. Cessadas as Guerras que haviam atormentado as primeiras décadas do século, desaparecidas as exigencias de caráter militar, que haviam induzido a Rússia a chamar para junto de si o inventor sueco, a própria Rússia decidiu suspender a fabricação de minas submarinas e fechar o estabelecimento. Não lhes restava outra coisa senão retornar á Suécia e prosseguir, na sua pátria, as experiências. Alfred, com o pai, e o irmão, resolveu tentar a fabricação da "nitroglicerina", coisa que ninguém até então conseguira, devido aos  sérios perigos existentes na fabricação da mesma. Tratava-se, realmente, de um explosivo sensibílissimo, estudado pouco antes pelo químico italiano Ascânio Sobrero (1812-1888), autor da aplicação na dinamite na agricultura.

Parecia que o êxito já sorrisse aos arrojados inventores, quando, uma grave desgraça levou à família Nóbel. A imprudência de alguns operários, que trabalhavam no estabelecimento recém-criado , provocou uma terrível explosão, que fez voar pelos ares toda a fábrica, matando vários homens, entre os quais o irmão de Alfredo. Este foi o momento mais crítico, tanto do ponto de vista moral como econômico para o jovem cientista. Sozinho, sem qualquer auxílio, sem dinheiro, Nóbel foi obrigado, para prosseguir os estudos, a alugar um barco e transformá-lo em laboratório, recomeçando, com fé e coragem, as experiências sobre a nitroglicerina. Seu primeiro sucesso  foi a abertura de uma fábrica, na Alemanha, seguida ebm depressa por outra , na Suécia. Mas o atormentava incessantemente o grave perigo latente, nesse tipo de explosivo tão sensível. Foi assim que lhe veio a idéia de misturar a nitroglicerina com uma substância bastante absorvente e inerte. Nascia, assim, graças a Alfred Nóbel, a dinamite, muito mais segura no emprego do que a nitroglicerina, explosivo que seria empregado, no futuro, tanto para fins bélicos como pacíficos. A patente tem a data de 10 de setembro de 1867. A descoberta põe em polvorosa o mundo todo, porque se viu logo que vantagens importantíssimas a dinamite trazia consigo. Especialmente para a construção  de túneis, galerias, trabalhos nas minas, a dinamite se revelou apta a resolver os mais difíceis problemas.

Para poder satisfazer a todas as encomendas que lhe chegavam de todos os recantos do mundo, Nóbel precisou construir mais fábricas, na Europa. Mas o sucesso não o desviou dos estudos nem das experiências: acrescentando aos explosivos obtidos outros materiais, consegue fabricar outros tipos de explosivos, como a "dinamite gelatina" e a "balistite", cuja patente foi cedida ao governo italiano, após o francês ter recusado. Este último fato, aparentemente sem importância, marca, ao invés, o início de uma série de acontecimentos que revolucionaram a vida de Nóbel. Justamente quando sua descobertas principiam a proporcionar-lhe lucros cada vez mais altos, até torna-lo  um dos homens mais ricos de seu tempo, uma campanha hóstil é inciada, na França, contra o inventor. Os jornais, os políticos, os meios industriais e comerciais atribuem a Nóbel a responsabilidade dos horrores de uma nova guerra, fingindo olvidar as maravilhosas obras que a dinamite  e outros explosivos, inventados pelo cientista sueco, haviam tornado possível, quando empregados em obras pacíficas. Fingiam ignorar que Nóbel trabalhara para a ciência e não para a guerra e se esqueciam de que ele mesmo embora iludido, esperara conseguir, com sua obra e seu gênio, afastar o perigo de novos conflitos. Como teria sido possível executar trabalhos do porte da perfuração do monte Sempione, da galeria do Gotardo, o primeiro com 20 quilômetros de comprimento e o segundo com 15, sem a dinamite?

Em 1831, Nóbel encontra-se em Paris. Certa manhã ao abrir o jornal, lê, estarrecido, a notícia de sua morte, em grandes manchetes. Tinha sido, evidentemente, uma notícia falsa do começo ao fim, porém, o que mais o choca e o inunda de mágoa é assistir ao coro unânime dos ásperos comentários da imprensa francesa. Houve quem chegasse a defini-lo "gênio maléfico", outros o chamavam de "autodidata da destruição", e quase com uma sensação de alivio, todos afirmavam: "finalmente desapareceu do mundo civilizado um homem que transcorreu sua vida a fim de encorajar a humanidade para a guerra e chegar a destruí-la" Nóbel, ante uma tão injusta difamação, resolve abandonar imediatamente a França e estabelece residência em São Remo, onde continua seus estudos, realizando novas descobertas, mesmo em outros setores da química e da física. A ação de seus inimigos, porém ferira-lhe a alma de tal modo que sua saúde ficou abalada. Em 1895, após ter dedicado toda sua existência ao progresso da ciência, percebe que, em redor de si criara-se uma atmosfera de aversão e de injusta incrompeensão. Ele faz  testamento e resolve fundar, com sua imensa riqueza, uma instituição que se tornaria universalmente famosa, sob o nome de "Prêmio Nóbel". Tomara tal resolução, ao que parece, para afastar, com a  admiração da posteridade, o ódio que seus contemporâneos da posteridade, o ódio que seus contemporâneos nutriam contra ele. No ano seguinte, em 1896, Alfredo Nóbel, entre o desencadear das polêmicas sobre sua pessoa, as quais pareciam não ter fim, entrega a alma ao Criador, em São Remo.

Dele permanecem as grandes descobertas e invenções, sua vida de cientista e estudioso, o exemplo de uma personalidade forte e corajosa e, afinal , a instituição por ele  almejada, com toda sua riqueza. Trata-se de prêmios a ser distribuídos todos os anos, sem distinção de nacionalidade, para a mais importante  descoberta no campo da fisíca, da química e da medicina; para obra literária que mais se distinguiu pelas suas tendências e ideais elevados e para quem mais e melhor trabalhou pela confraternização dos povos, pela supressão dos exércitos permanentes , numa palavra , pela paz! O prêmio é concretizado numa espécie de diploma simbólico e numa importância em dinheiro considerável. A distribuição dos prêmios é feita por diversas instituições. Nóbel deixou seu legado para o mundo apesar de suas invenções ainda serem usadas em guerras, suas descobertas proporcionou evoluções grandiosas no campo da ciência. Alfred Nóbel é um verdadeiro gênio da humanidade.