WINSTON CHURCHILL

"Lutaremos até o fim. Lutaremos na França. Lutaremos nos mares e nos oceanos. Lutaremos com crescente confiança e com crescente poderio no ar. Defenderemos nossa ilha a qualquer custo! Não esmoreceremos, nem falharemos! Jamais nos entregaremos!". Inglaterra, 4 de julho de 1940. A guerra à Alemanha havia sido declarada em setembro do ano anterior. Quem fala é  Winston Churchill, que acabara de ser nomeado primeiro-ministro, apesar da forte oposição de grande parte dos políticos, inclusive da maioria de seus correligionários do Partido Conservador.

MILITAR E JORNALISTA


O aristocrata Lord Randolph Henry Spencer, conhecido político, e Jenny Jerome, filha do proprietário do jornal americano New York Times, certamente auguravam futuro brilhante para seu filho, nascido a 30 de setembro de 1874 na rica mansão que eles possuíam nas proximidades da cidade de Oxford. Mas quando Winston Leonard Spencer Churchill ingressou no colégio de Harrow, as esperanças de seus pais quase foram por terra. O jovem não passava de aluno medíocre e indisciplinado. Henry e Jenny tiveram novo alento, contudo. Em 1893, Winston segue para a Academia Militar de Sandhurst e, aí, faz um curso excelente. Ao deixar a escola em 1895, ano da morte de seu pai, é considerado brilhante oficial. Aliás, tem a quem sair: descendente de um grande militar, John Churchill, homem que nos primeiros anos do século XVIII comandou o exército inglês na luta contra os franceses, na guerra havida por causa da sucessão espanhola. Mas é como jornalista que Winston tomará seu primeiro contato com a Guerra. Assim que completa o curso em Sandhurst, ele pede licença ao exército e viaja para Cuba, onde trabalhará como correspondente do Daily Graphic durante a insurreição local contra a metrópole espanhola. De volta, reincorpora-se ao exército e participa de uma série de operações militares na Índia, na repressão de tribos que se rebelavam contra o colonialismo inglês. E em 1898, Winston Churchill esta no Sudão, como oficial da 21° Divisão de Lanceiros e correspondente do Morning Post, na luta contra o Reino dos Dervixes, federação religiosa que se opunha aos britânicos.

EM BUSCA DE NOVA VIDA


De volta à Inglaterra, resolve tentar a política. Desconhecido do eleitorado, candidata-se a deputado pelo distrito de Oldham, e perde. Em 1899, retoma as atividades jornalísticas , seguindo para a África do Sul.
Aí, cai prisioneiro dos bôeres, colonos holandeses que entraram na guerra contra a Inglaterra. Depois de uma fuga cheia de peripécias, descrita como a mais emocionante de toda a Guerra, os bôeres pões sua cabeça a premio. Mas Winston consegue safar-se e a tingir as linhas britânicas. Já não é mais um jornalista desconhecido. De novo em seu país, consegue eleger-se, em 1900, para a Camara dos Comuns, como deputado do Partido Conservador. É o inicio de uma intensa e contraditória carreira política. Churchill, ocupará diversos outros cargos importantes no governo Inglês, ora ao lado dos conservadores, ora dos liberais, ora ainda em aliança com os trabalhistas.

Em 1904, abandona as fileiras do Partido Conservador. Em 1909 torna-se ministro liberal e denuncia "a ausência de qualquer padrão minimo de vida e de conforto para os trabalhadores". Só em 1924 é readmitido no Partido Conservador. Continuou, porém , a ser combatido pelos correligionários, que consideram subversiva sua legislação social. A ala radical dos conservadores se opõe à nomeação de Churchill para o cargo de primeiro-ministro.

O HOMEM QUE PREVÊ A GUERRA


1911, outubro. Winston Churchill é nomeado primeiro lorde do Almirantado, ou seja, é o comandante supremo da Marinha. Ele dirá " De nosso poderio naval depende a existência da Grã-Bretanha". Como deputado, havia muito tempo Churchill vinha prevendo a deflagração de uma guerra européia, e defendera tenazmente uma política externa enérgica, insistindo em que a Inglaterra devia preparar-se para um conflito iminente. Como comandante supremo da Marinha, trata de modernizar a esquadra: os navios deixam de utilizar o vapor e são dotados de motores de explosão. Ao desencadear-se a I Guerra Mundial, ele ordena secretamente que as naves inglesas tomem posição para combate, ao mesmo tempo, mobiliza as reservas, apesar da oposição que lhe fazem os demais membros do Gabinete, essa mesma oposição que o fará renunciar ao posto em 1915, depois de diversos choques de opinião sobra a estratégia que a Inglaterra deveria adotar o conflito. A fastado do cargo, Churchill, não se afastará da guerra. Apresenta-se como voluntário e serve alguns meses como oficial no front francês. Depois , de volta à Inglaterra, retorna à Camara dos Comuns. No Parlamento, antevendo a importância da força aérea na guerra, luta pela criação de um ministério da aeronáutica. Um ano antes do fim da guerra, o Primeiro Ministro Lloyd George o convoca para o cargo de ministro das Munições.

GUERRA. AERONÁUTICA, FINANÇAS


Terminada a I Guerra Mundial em 1918, nem tudo são vitórias para a Inglaterra. Morreram 750 mil ingleses, a Irlanda do Sul, católica, revolta-se contra à agressão inglesa. No entanto, a Inglaterra consegue reter a Irlanda do Norte, à parte mais rica da ilha. Movimentos de independencia surgem em várias colônias britânicas, e no Oriente Próximo, há muito tempo outro tipo de guerra, surda, porém perigosa, vem sendo travada pelo domínio das jazidas petrolíferas, entre empresas inglesas e americanas. Mas o que realmente preocupa Churchill, agora acumulando as funções de ministro da Guerra e da Aeronáutica, é a vitória da Revolução Soviética (1917) e suas possíveis  consequências no operariado mundial. Para ele, esse era o problema político mais sério que o governo inglês teria de enfrentar. Mas o Gabinete de Lloyd George cai; Churchill volta então à militância política, tentando reeleger-se deputado, ao mesmo tempo que se entrega à literatura, começando a escrever A Crise Mundial , história da grande guerra de que participara. Derrotada nas urnas por duas vezes, só voltará à Câmara dos Comuns em 1924, e, em breve, estará de novo no Governo, desta vez como ministro das Finanças do Gabinete Baldwin.

Sua gestão vai até 1929, e é das piores. Tentando valorizar a libra, determina uma série de medidas que provocam terrível deflação monetária e, com ela, uma crise sem precedentes. Excluído do Governo nesse ano, com a derrota dos conservadores Churchill retoma a atividade literária, completando  A Crise Mundial  e escrevendo ainda algumas obras autobiográficas e a história de seu ancestral John Churchill.

O ALMIRANTADO DE NOVO


Preocupado com o comunismo, Churchill até 1934 proclama sua simpatia por  Mussolini e pelo fascismo posto em prática na Itália. Ele afirma que "a Itália tem demonstrado um modo de combater a força subversiva, modo que pode atrair a massa do povo a uma real cooperação com o Estado". Mas a ascensão do nazismo alemão e as aproximações de Mussolini com Hitler o fazem mudar de idéia. Quando a Alemanha, depois de ter invadido a Tchecoslováquia, ameaça entrar na Polônia, Paris e Londres garantem a esta sua ajuda militar. Hitler invade a Polônia a 1° de setembro de 1939. Dois dias depois, França e Inglaterra declaram guerra à Alemanha, e é nesse mesmo dia 3 de setembro de 1939, que  Winston Churchill entra para o gabinete de guerra, voltando ao Almirantado,  o mesmo cargo que ocupara ao tempo da I Guerra Mundial.

SANGUE, TRABALHO SUOR E LÁGRIMAS


A 10 de maio de 1940, o Primeiro ministro Chamberlain renuncia. E para ocupar seu lugar, foi escolhido Winston Churchill. Em seu primeiro discurso, diante dos Comuns, pronuncia a frase que irá tornar-se famosa " Nada tenho a oferecer senão sangue suor e lágrimas". A França fora invadida e a Inglaterra luta praticamente sozinha até o dia 22 de junho de 1941, quando os alemães atacam a Rússia. Apesar de feroz inimigo dos comunistas. Churchill não hesita em aliar-se a Stálin. E da mesma forma apóia a luta de Tito contra os alemães na Iugoslávia. Depois da vitória dos Aliados, ele estará presente às conferências que decidirão os destinos da Europa. E é no decorrer delas que cederá seu lugar a Clement Attle, já que os conservadores tinham sido derrotados nas eleições realizadas depois da guerra. Afastado do poder, Churchill não renuncia à política. Passa a defender a idéia de uma aliança atlântica e da criação de uma força militar multinacional. O comunismo volta a preocupá-lo. Em, 1951, os conservadores derrotam os trabalhistas. E eis o Churchill novamente como primeiro ministro, esforçando-se por estabelecer entre seu país e os Estados Unidos estreita cooperação, tal como acontecera durante a II Guerra Mundial. Mas em 1955 Churchill retira-se definitivamente da vida pública. Agora, vai dedicar-se à literatura, que lhe dera um Prêmio Nobel em 1953, e à pintura. Termina a sua História da Segunda Guerra Mundial  e escreve História dos Povos de Língua Inglesa. Serão dez anos de descanso, depois de uma vida inteira de intensa atividade. Ele morrerá no dia 24 de Janeiro de 1965, com 91 anos de idade.