ABRAHAM LINCOLN

Estados Unidos, 9 de abril de 1865. Os confederados, sulistas revoltados  contra o governo do norte, rendem-se em Appomatox. Terminava assim a Guerra de Secessão. O Presidente Lincoln proclamava ao povo do seu país: "É hora de darmos as mãos, como amigos, para trabalhar pelo futuro". Cinco dias depois, no Teatro Ford, em Washington, foi alvejado na cabeça com tiro de pistola. Morreu no dia seguinte, pela manhã, sem saber que a mesma sorte fora reservada ao assassino, ex ator e escravista Jonh Wilkes Booth, alcançado e morto depois do crime. Mas tinha consciência que seus dois grandes objetivos políticos tinham sido alcançados: os escravos já eram livres e a unidade do país continuava mantida.
Abraham Lincoln, 16° presidente dos Estados Unidos da América, nasceu na cidade de Hardin, no Kentucky, no dia 12 de fevereiro de 1809. Filho de camponeses, viveu a primeira infância numa choupana de madeira, à beira da floresta. Só esteve na escola um ano.
Quando a família foi para Indiana, em busca de vida melhor, tinha sete anos e já trabalhava no campo. Pouco depois, morreu a mãe, e o pai casou-se novamente. Sua madrasta, Sarah Bush Jhonston, cuidou da sua instrução. Depois foi lenhador, trabalhou numa serraria, chegou a ser barqueiro. Navegava pelos rios Ohio e Mississípi, observava seu país e sua gente. E aproveitava cada instante livre para ler.

Gostava de livros. Quando a família se mudou para Illínois, montou uma loja, "um armazém onde se vendiam livros". Faliu, como faliram depois outros três negócios que montou. Chegou a ser popular em 1832, como capitão voluntário para sufocar um levante de índios no Sul do Estado. Em 1833 foi nomeado chefe dos correios de Nova Salem, cargo importante na época de comunicações precárias, mas mal pago. E para viver trabalhava também como lenhador, peão de moinho e de fazenda. Em seis semanas aprendeu o essencial para empregar-se como agrimensor.

Luta contra os índios, chefia dos correios, demarcação de terras para o governo. Tornou-se popular e conhecido. Em 1834 elegeu-se deputado à Assembleia de Illínois. Continuava estudando, em 1837 formou-se em direito. Defendia causas dos pobres e humildes. Em 1846 Illínois o elegeu deputado federal. Mas não conseguiu ser reeleito, opôs-se à guerra contra o México, quando os sucessos militares faziam vibrar as massas. A guerra deu à União novas terras. Enquanto todos se rejubilavam pela conquista , Lincoln fazia campanha pública, para que "as novas terras ficassem livres da mancha da escravidão". Isso conquistava a opinião pública, que precisavam de novos consumidores pra o seu produto. 4 milhões de negros transformado em consumidores dariam novo impulso à nascente industria do Norte. Apelo humanitario reforçava motivos econômicos. E em 1860, Lincoln foi eleito presidente do país pelo Partido Republicano, que ajudou a fundar. Mas quando começou a governar no dia 4 e março de 1861, enfrentava o primeiro problema grave, entre o dia da sua eleição e o da posse, sete Estados do Sul declaram-se separados da União. Não aceitavam a supremacia industrial do Norte. Rejeitavam as idéias abolicionistas.

Formaram uma Confederação independente. Lincoln não reconheceu a secessão, mas procurou evitar à guerra. Não conseguiu os confederados atacaram a Carolina do Sul. Mais quatro Estados juntaram-se aos confederados. Aceito o desafio, Lincoln organizou a luta. E a 1° de janeiro de 1863 decretou a emancipação dos escravos. Seis meses depois, a guerra, inicialmente vencida pelos sulistas, começou a mudar o rumo. Assim mesmo, durou ainda mais dois anos. Neste tempo, em 1864, Lincoln foi reeleito. Sua plataforma era avançada. Pregava igualdade e liberdade dos homens. Opunha-se à hipocrisia e à mentira. "Pode-se enganar todas as pessoas por algum tempo" disse "Pode-se enganar todas as pessoas algum tempo, mas não se pode enganar todas as pessoas todo o tempo". A liberdade venceu.

Homem da fronteira, nunca usou  uma arma. Homem sem instrução, não largava os livros. Homem rude, criado para os trabalhos da fazenda , como ele mesmo escreveu, foi humanista, um dos mais liberais presidentes da historia americana. Homem simples, engraxava seus próprios sapatos, mesmo quando presidente. Um inglês, surpreso observou: "Na Inglaterra nenhum cavalheiro limpa seus próprios sapatos". E ele "E de quem são os que ele limpa?".

Lincoln tinha o aspecto rude. Seu rosto muito anguloso, sua testa larga, as maçãs do rosto salientes, as orelhas grandes, tudo contribuía para fazer dele um homem feio. Em 1858, fazendo campanha para o Senado contra o democrata racista Stephen Douglas, tornou-se o liberal mais popular dos Estados Unidos, embora perdesse a eleição. Acusado, num comício público de agir de um modo e de falar de outro, chamado de "Homem de duas caras", respondeu: "Que o povo decida, se eu estivesse outra cara vocês acreditariam que eu estaria usando está?". Assim mesmo ficou conhecido com a cara que não tinha, toda a vida raspava a barba minuciosamente, mas passou à historia com ela. Só por te-la usado um pouco antes de morrer, por uma sugestão de uma menina , ao que se diz, que lhe escreveu afirmando que a barba inspirava mais respeito. Mudou as feições, jocosamente, mas não a posição. Continuou governando pelo povo, para o povo, com o povo. E assim morreu.