Desde o começo do século XX a música de Bach faz parte do repertório dos grandes organistas, é tocada como exercício pelos estudiosos de vários instrumentos musicais e apresentada por orquestras e corais do mundo todo. Suas composições atestam que ele conhecia profundamente a teoria musical de sua época- o barroco- e nelas estão esgotadas todas as possibilidades da polifonia, técnica de composição conhecida desde o final da Idade Média e ainda hoje muito divulgada. Por seu domínio dessas técnicas tradicionais da música, Bach é ainda estudado pelos que se dedicam a essa arte. E, pela força expressiva e riqueza de sua obra, é considerado por muitos críticos, o maior compositor de todos os tempos.
UMA FAMÍLIA DE MÚSICOS
A 21 de março de 1685 nasce Johann Sebastian Bach, em Eisenach, na Turíngia, que então era a região central da Alemanha. Era o oitavo filho de Johann Ambrosius Bach, um professor de violino e viola. Os avôs, tios e irmãos do menino Bach também se dedicaram à música, principal atividade cultivada pela família havia três gerações, desde o século XV. Na época de Johann Sebastian Bach, como nas anteriores, os musicos eruditos de todos os países europeus viviam ligados às cortes, à nobreza ou à Igreja. A família de Bach era grande e estava espalhada pelas cortes e igrejas dos diversos Estados em que se dividia a Alemanha, prestando serviços a nobres ou religiosos que lhe forneciam sustento. Desde pequeno, o menino Bach foi educado para ser músico, aos seis anos seu pai já lhe ministrava as primeiras lições de violino e viola, bem como noções elementares de teoria musical. Com essa mesma idade, Bach ingressou numa modesta escola de Eisenach, onde aprendeu a ler e escrever.
Mas Bach cedo tornou-se órfão , aos oito anos, perdeu a mãe, Elisabeth Laemmerhirt, e aos de, o pai. Com a morte do pai, Bach teve de deixar Eisenach e foi morar com o irmão mais velho, Johann Chritoph era organista de uma igreja dessa cidade de Ohrdruf. Cristoph era organista de uma igreja dessa cidade e encarregou-se do sustento e da educação do menino. Bach continuou seus estudos no Liceu de Ohrdruf, revelando-se excelente aluno e fazendo muitos amigos. Em casa, com ajuda de seu irmão, realizou um grande avanço na música, aprendendo a tocar cravo e órgão. A vida artística da Alemanha na época estava estagnada devido à Guerra dos Trinta Anos, entre católicos e protestantes, que devestara o país na primeira metade do século XVII. Johann Cristoph, como a maioria dos músicos eruditos do país, dedicava-se a compor músicas para órgão e coral, que eram executadas durante as cerimonias religiosas protestantes. Os padrões dessas músicas eram redigidos e ultrapassados em relação ao resto da Europa. Mas em Ohrdruf morava um músico, Johann Pachelbel, homem culto e viajado, que vivera em Viena e conhecia de perto a musica dos melhores artistas italianos. Pachelbel era amigo de Johann Cristoph e ministrou o menino Bach aulas que iriam influenciar suas futuras composições.
INDEPENDÊNCIA AOS QUINZE ANOS
Aos quinze anos, Bach já se destacava no coro do liceu pela sua voz aguda de soprano, própria da idade. E querendo cuidar sozinho de sua vida, resolveu desligar-se da família e ir para Lunenburg, cidade que ficava a 300 quilômetros de Ohrdruf. Em Luneburg, Bach ganhou a vida como cantor, completou seus estudos e dedicou-se a aprimorar sua carreira musical, buscando a orientação e o exemplo dos melhores artistas das redondezas. Sozinho, Bach fazia longos percursos até as cidades vizinhas, para ouvir os grandes músicos. Assim, tornou-se admirador dos organistas Georg Boehm e Jan Adams Reiken e frequentador de orquestras, principalmente a do duque Georg Wilhem, especializada em música francesa. A tradição alemã em órgão e coral, a música italiana que aprenda em Ohrdruf com mestre Pachelbel e a música francesa que conhecera em Luneburg foram as três principais fontes de conhecimento musical de Bach adquiriu. Em 1703, com 18 anos, Bach já havia completado seus estudos e possuía uma sólida formação musical. Perdendo sua voz de soprano, precisou procurar emprego e mudou-se para a cidade de Weimar, aceitando um convite para ser violinista da orquestra particular de um nobre.
Nesse mesmo ano, Bach foi nomeado organista da igreja de São Bonifácio, na cidade de Arnstadt. Permaneceu nesse cargo por quatro anos. Durante esse período, iniciou sua atividade como compositor, criando musicas para órgão como "A Cantada de Páscoa, Sete Variações Sobre Cantada e Melodias, Sonatas, Prelúdios e Fugas, Tocadas e Fugas". Mas Bach não era apreciado como compositor, e sim como o melhor tocador de órgão. Desavenças com as autoridades eclesiáticas locais o fariam pedir demissão do cargo em 1707. Em 1708, após uma curta permanência como organista na cidade de Muhlhausen, Bach retornou a Weimar, para ocupar o cargo de organista e diretor da orquestra da corte do príncipe Wilhelm Ernst. Nessa época j´estava casado havia um ano com sua prima, Maria Bárbara.
Bach permaneceu nove anos nesse cargo, teve sete filhos e compôs várias cantadas para órgão. Em 1717, descontente com a falta de reconhecimento por parte das autoridades da corte, o compositor demitiu-se de suas funções e partiu para o castelo de Coethen, convidado pelo principe Leopold Anhalt-Coethen para ser mestre-capela (encarregado da música de igreja e da música de orquestra da cidade).
COETHEN: MÚSICA ORQUESTRAL
Em Coethen, a austeridade do culto religioso dispensava quase todo o acompanhamento musical e Bach dedicou-se à música de orquestra. Dentre as obras que compôs nesse período, destacam-se as "Suítes", os seis Concertos Brandenburgueses, os Concertos para Violino e várias Sonatas. São dessa época também muitas composições para cravo, como as "Suítes Francesas, Inglesas e Alemãs, a Fantasia Cromática e Fuga e as primeiras partes do Cravo Bem Temperado.
Essa última composição, terminada em 1744, é ainda hoje considerada uma das mais importantes obras para teclado, pois joga com múltiplas possibilidades técnicas da música tonal. Essa obra faz parte obrigatória dos cursos de piano, em razão do grande número de dificuldades que apresenta.Em 1720, com a morte de sua mulher Bach sentiu-se abalado e deixou Coethen, levando uma vida itinerante em pequenas cidades do interior. Em 1721 casou-se com Ana Magdalena Wilcken, com quem teve treze filhos.
LEIPZIG: OS ÚLTIMOS ANOS
Essa vida de nômade estendeu-se até 1723. quando o compositor se habilitou ao cargo de diretor da música na igreja de Santo Tomás, em Leipzig. Bach permanecerá nesse cargo por 27 anos, até sua morte, em 1750. Em Leipzig, Bach, criou grande parte de suas obras e alguns dos grandes monumentos da história da música, como os orátorios Paixão segundo São Mateus, e a missa em Si menor, composições em que se eleva a alto grau o misticismo, uma das principais caracteristicas de sua música. É também desse período a Arte da Fuga, composta de experiências técnicas no estilo do Cravo Bem Temperado.
Durante toda sua vida, ninguém reconheceem Bach uma grande compositor. O velho mestre era tido como ntiquado , numa época em que a moda eram as óperas italianas. Após sua morte, Bach ficou esquecido por mais de cem anos. Até 1850, quando alguém pronunciava o nome de Bach, quase sempre queria referir-se a algum de seus filhos (Carl Philipp Emanuel, JohannChristian, Johann Christoph ou Wilhem Friedemann), também músicos.
O reconhecimento de sua obra precisou esperar até a metade de século XIX, quando Mendelssohn fez executar seu oratório Paixão Segundo São Mateus. A partir daí , mais de dez compiladores dedicaram cerca de 50 anos para coligir a vasta obra de Johann Sebastian Bach, hoje em dia um artista consagrado no mundo inteiro. A música de Bach exerceu, nos compositores, uma grande influência, que se estendeu até o século XX. o músico brasileiro Heitor Villa Lobos foi um grande admirador do mestre barroco e dedicou-lhe, como homenagem, as Bachianas Brasileiras, compostas no período compreendido entre 1930 e 1945. Nessas obras Villa Lobos aplica temas folclóricos brasileiros as técnicas de composição de Bach.

