Diz um ditado antigo: "mordedura de cão doente cura-se com o dente do proprio cão". Mas a verdade não é bem essa: mordedura cão doente cura-se com soro. Em parte porém, o ditado tem razão, a vacina é preparada com mateial colhido de animais doentes, tratado de forma especial a fim de produzir os vírus atenuados que combatem a "raiva" ou hidrofobia dos cães. A raiva de cães liga-se imediatamente com um nome: Louis Pasteur. São os Institutos Pasteur que, no mundo inteiro, a combatem. Mas o nome Pasteur aplica-se também a um método de tratamento do leite das vacas, que é pasteurizado. Pois entre cães raivosos e as vacas leiteira há um denominador comum, o trabalho de Louis Pasteur, químico e bacteriologista francês. Foi Pasteur quem descobriu a vacina contra hidrobia e quem imaginou usar o calor no processo para conservação dos alimentos, entre os quais principalmente o leite. E também quem desmentiu em defnitivo a teoria da geração espontânea.
Pasteur nasceu em 1822, numa cidadeznha chamada Dôle, que fica no leste da França. Seu pai era curtidor e gostava tanto do oficio que desde cedo planejou a carreira do filho no mesmo ramo de peles e couros. Assim, quando Louis atingiu a idade escolar, o velho Pasteur mudou-se com a família para outra cidade, Arbois, e ali alugou um curtume. Tão logo o filho terminasse o primário, seria iniciado nos misterios da arte de curtir. Sem saber que seu futuro estava planejado, Louis foi para escola. Não se revelou aluno brilhante, mas cumpria seus deveres com tanta dedicação que o diretor da escola aconselhou seu pai a abandonar o projeto de fazer dele um artesão, achava que valia a pena estimular o menino a cursar uma escola superior. E foi assim que um belo dia Louis Pasteur foi a Paris para estudar. A condição de estudante lhe agradadava e a cidade também, mas não conseguia viver longe da familia, ao fim de algum tempo, a saudade venceu, e ele retornou a Arbois, interrompendo os estudos.
Mas a temporada em Paris fez com que Arbois parecesse a Pasteur muito pequena e acanhada. Besançon, situada a 40 quilometros de distancia, oferecia maiores possibilidades, com a vantagem de permitir-lhe manter contato com sua familia. Para lá seguiu Pasteur. Matriculado no Colégio Real, completou o curso de letras em 1840, mas não demorou à concluir que o bacharelato e o cargo de professor do colégio não era exatamente o que pretendia da vida. Daí sua decisão, retomar os estudos e fazer um curso de Ciências. Dois anos depois, já com o novo diploma em punho foi outra vez a Paris, a fim de se especializar em química na Escola Normal Superior, uma das mais famosas universidades francesas.
Mais dois anos e um avanço importante: o universitario Pasteur torna-se doutor em Ciências e passa a trabalhar como assistente de Antoine Jerome Balard (1802-1876), grande químico da época, iniciando carreira cientifica que celebrarizaria seu nome no mundo inteiro.
O AÇUCAR QUE NÃO ORIGINAVA ÀLCOOL
O ano de 1849 marcou dois acontecimentos importantes na vida de Pasteur, seu casamento com Marie Laurent e sua nomeação para a suplência da cátedra de química da Universidade de Estrasburgo. Em 1854, com penas 32 anos de idade, Pasteur deixou Estrasburgo para subir mais um degrau, assumir a reitoria da Faculdade de Ciências de Lille. Havia nessa cidade uma indústria que vivia em apuros porque, durante o processo de fermentação do açucar de beterraba, frequentemente se originava ácido lático em vez de ácool. E, enquanto o álcool valia bom preço, o ácido lático era praticamente inútil. Ninguém entendia o que levava o açucar a "desandar" e o problema foi trazido a Pasteur, que começou a pesquisar o assunto. Ao mesmo tempo estudava a fermentação do vinho e da cerveja. E as descobertas não demoraram. A fermentação era a causada por organismos microscópicos que vivem nos líquidos. Examinando amostras de fermentação normal de cerveja, Pasteur notou que os organismos que ali apareciam eram de formato esférico, enquanto que na fermentação "degenerada" os corpúsculos tinham a forma de bastonetes.
É claro que no decorrer dessas pesquisas Pasteur se interessou em saber se os minúsculos seres eram encontrados permanentemente na atmosfera ou eram gerados espontaneamente. E então fez uma série de experiências, as quais lhe mostraram que, impedindo a entrada de micróbios num recipiente contendo líquido não contaminado, este permanecia puro e se conservava por muito tempo. Logo, os microorganismo que causavam a fermentação não se geraram espontaneamente, como se acreditava em geral. E descobriu mais, para combate-los, bastava usar o calor, aquecendo os líquidos a uma certa temperatura. O processo de conservação de alimentos que se tornou conhecido como "pasteurização" foi aperfeiçoado a partir dos trabalhos de Pasteur sobre a fermentação.
CARBÚNCULO PRIMEIRO, HIDROFOBIA DEPOIS
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| Instituto Pasteur na França |
Primeiro injetou a saliva de animais infectados a outros sadios, observando que o virús se estabelecia nos centros nervosos. Depois, extraiu material da medula de cães hidrófobos e inculou-o em animais sadios. Resultado: estes também ficavam raivosos. Pasteur viu que esava no caminho certo. Submetendo o tecido medular de animais doentes a um tratamento especial de dessecamento por meio de calor, conseguiu atenuar bastante o grau de virulência da substância. Então preparou com ela uma solução que foi aplicadas em cães e coelhos. Estes ficaram perfeitamente imunizados e resistiram a todas as tentativas de contagio de sálivas de cães hidrófobos. A vacina contra a raiva estava criada. Só faltava testá-la.
A ocasião veio logo, no dia 6 de julho de 1885 um menino de 9 anos foi trazido pelo seu pai ao laboratorio de Pasteur. Fora mordido por um cão raivoso três dias antes e agora tinha a via por um fio. Em vista disso Pasteur não hesitou em aplicar-lhe a vacina. O sucesso foi absoluto, o menino não adquiriu a moléstia. Já grande o prestigio de cientista, após etse fato se tornou maior ainda. Foi lançada uma subscrição para realizar o seu grande sonho, um centro de pesquisa inteiramente dedicado ao estudo de doenças infecciosas. O projeto foi levado a diante e, em 1888, o incansavel pesquisador assistiu a inauguração do instituto que levava o seu nome. Graças aos estudos de Pasteur e, posteriormente, aos trabalhos realizados no Instituto Pasteur, a hidrofobia reduziu-se praticamente a uma lembrança. Louis Pasteur morreu em 28 de setembro de 1895 (sábado) em Saint-Cloud na França vitima de derrame cerebral.
